Imperatriz: a natureza da Mãe Natureza

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imagem: The Icecreamist

Em 2 anos de Zephyrus, escrevi sobre a Força e a Roda em 2009 e 2008, respectivamente, ressaltando que, apesar da referência que se estabelece entre alguns profissionais e muitos curiosos, adotar um arcano por regente do ano é uma enorme bobagem do ponto de vista da previsão,  seja individual ou coletiva – e principalmente esta!

De qualquer modo, como um dos objetivos do blog é escrever sobre Tarot, esta é sempre uma boa desculpa para abordar um Arcano, de modo que também aproveito para embarcar nessa do meu próprio jeito, obviamente.

Muitas pessoas escreveram ou estão por escrever sobre a Imperatriz ressaltando atributos, como: comunicação, criatividade, fertilidade, feminilidade, diplomacia… todas estas coisas são válidas, claro, e eu não vejo razão para insistir em um lugar-comum.

Uma coisa que chama a minha atenção, contudo, é que desde que colocaram a Imperatriz numa condição de “Mãe Natureza” – e, por favor, não me venham com a história dos terremotos e deslizamentos por conta disso -  parece que o foco de muitas pessoas recaiu sobre os frutos da terra e não à força que viabiliza a sua manifestação.

Complicou? Eu explico:

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Imagem: Masonic Tarot

O mundo das formas é domínio do Imperador – o número 4. Semana passada ouvia um ensinamento budista que, ao cometermos uma falta, temos até 4h para corrigí-la. Não sei exatamente qual a explicação budista para 4h (exceto, talvez, o fato de 4h dividir o dia em 6 turnos e termos um compromisso com 6 paramitas), mas achei a referência curiosa: com 4h (4 = Imperador) o mal que você cometeu se “cristaliza” como semente de um karma negativo – antes disso, não.

O que eu quero dizer com isso que a Imperatriz não é a colheita (resultado = Imperador), mas todos os preparativos para que ela ocorra (planejamento, energia, dedicação…). Não é forma, mas conteúdo. De novo implicando com algumas representações, ela é uma mulher grávida (em processo de gestação), e não a mãe que carrega um bebê no colo ou tem uma criança pequena aos seus pés, como aparece em alguns baralhos – incluindo o Alchemical, que eu gosto tanto.

A fertilidade (e o seu oposto, a esterilidade), desta forma, não é algo que está assegurado, mas que precisa ser trabalhado diligentemente, pois plantamos agora o que iremos colher mais tarde e ninguém precisa chegar à Justiça ou à Roda da Fortuna para encarar com as consequências – quando já é tarde demais para mudar alguma coisa.

E isso vale para tudo. Quando abordamos a Imperatriz como comunicação, pense bem antes de se expressar, use bem (de forma correta e inteligente) as ferramentas colocadas à sua disposição – principalmente em uma era como a nossa, de comunicação global, instantânea e de muito pouca privacidade. {imagem: Alchemical Tarot}

Se a Imperatriz é relacionamento, observe e cultive apropriedamente a generosidade, a virtude e a tolerância (só aí, citei 3 paramitas). As pessoas pensam que agir diplomaticamente envolve hiprocrisia. Não, de forma alguma. Seja verdadeiro com você mesmo, sempre, e evite, tanto quanto possível, causar sofrimento ao outro – o que inclui mentir/enganar de forma deliberada.

Mesclando comunicação e relacionamento, por sinal, a comunicação nunca foi tão ampla e as pessoas nunca estiveram tão isoladas como nestes tempos de supervalorização das redes sociais – pense nisso. E como se não bastassem as complicações de relacionamentos virtuais à distância (e por relacionamento, me refiro à toda forma de relacionamento, não apenas os afetivos),  ainda corremos o risco da virtualidade presencial, como relatou uma cliente outro dia, com uma amiga à sua frente em uma mesa de bar passando tweats todo o tempo do seu smartphone sem lhe dar a devida atenção.

A respeito no número, Dan Millman diz que o 3 deve utilizar a sua sensibilidade emocional para trazer para o mundo a expressão sincera da sua personalidade, sendo o seu primeiro desafio enfrentar a falta de fé em si mesmo (uma condição deficiente do Pendurado: 12 = 1+3 = 3). Isto ainda tem a ver com o que escrevi sobre hipocrisia: por vezes, para ser aceito socialmente (ou por alguém, em especial), a gente usa máscaras que nos distanciam da nossa verdadeira natureza,  e isso é ruim, pois nunca seremos inteiros desta forma (O Mundo: 21 = 2+1 = 3).

Ser Imperatriz, neste sentido, começa com o compromisso de fidelidade consigo mesmo e a correta atribuição de valor pessoal. É gostar de estar com outras pessoas, mas não depender delas, pois existe uma diferença entre solidão e solitude (O Eremita: 9 = 3+3+3) – escrevi sobre isso aqui. {imagem: Tarot of the Four Elements}

Você se ama e se respeita, logo atrai quem também o faça. Não se trata de “dane-se o que os outros pensam” de uma forma radical, mas dar o devido peso a cada coisa, incluindo críticas que podem ajudar no processo de autorealização. Lembre-se que sinceridade em demasia, por exemplo, vira arrogância – a virtude se perde nos excessos e nas deficiências.

Uma coisa que eu gosto é o fato da Imperatriz ser representada olhando para a frente e isso significar que ela olha para a vida (oportunidades e desafios) sem desviar o olhar, lembrando que ela sucede a Papisa e os seus ensinamentos, ou seja, a gente começa a olhar “de dentro”, e não “de fora”, pois o mundo externo é reflexo daquilo que estamos continuamente gestando.

E aí é muito importante lembrar que as Rainhas dos Arcanos Menores são primas-irmãs da Imperatriz, responsáveis por dar suporte aos Reis, pois Reis e Rainhas não são pessoas, mas funções.  A Imperatriz , de fato, reúne a energia fragmentada em 4 formas de  expressão – os 4 naipes/elementos – de modo que:

  • A Imperatriz como Rainha de Ouros nutre, protege e cura a si mesma e ao outro com grande senso prático e estético. Cuidar só de si é uma patologia; cuidar só do outro, também.
  • A Imperatriz como Rainha de Espadas é a mãe que educa para a vida, usando a mente para entender – e não para tolher – as emoções, reconhecendo a sua parcela de responsabilidade (diferente de culpa) por cada  experiência do passado, sem medos e/ou ressentimentos.
  • A Imperatriz como Rainha de Copas exercita, em especial, a empatia, que é um dos pré-requisitos para a verdadeira compaixão – o desejo, com equidade, de que todos se libertem do sofrimento.
  • A Imperatriz como Rainha de Paus ajuda a cada um descobrir o melhor de si mesmo, despertando a fé e a alegria de viver.
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{imagem: Tarot of the Master}

Que cada um possa meditar e entrar em contato com a Imperatriz que traz consigo para tornar a sua vida – e a vida de todos os seres sencientes – mais significativa.

Possam todos se beneficiar!

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Sobre as 6 Paramitas ou “6 Perfeições”:

  1. DANA paramita: a perfeição da generosidade e da doação.
  2. SILA paramita: a perfeição da moralidade, da virtude e da conduta apropriada
  3. SHANTI paramita: a perfeição da paciência, da tolerância e do auto-domínio.
  4. VIRYA paramita: a perfeição da diligência, do vigor e do esforço.
  5. DHYANA paramita: a perfeição da meditação, da  concentração e da contemplação.
  6. PRAJNA paramita: a perfeição da sabedoria transcendental e da mente plena.

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