5770: Despertando para a Paz
Posted by Marcelo BuenoSep 14

Foto: Kristin Lindell. Kristin Lindell Produktion
Baruch ata Adonai,
Elohênu mélech haolam,
asher kideshanu bemitsvotáv,
vetsivánu lishmôa cól shofar.
“Bendito és Tu, ó Eterno, nosso D’us,
Rei do Universo, que nos santificou
com Seus mandamentos e nos ordenou
ouvir a voz do shofar”.
Na noite da próxima sexta-feira, dia 18 de setembro, tem início o ano judaico de 5770. Esta ocasião recebe, tradicionalmente, o nome de Rosh ha’Shaná (“Cabeça do Ano”), mas também é conhecida por Yom Teruá (“Dia do Toque”) porque é uma mitsvá (“mandamento”) para cada judeu ouvir o shofar.
Para quem não sabe do que se trata, o shofar é um instrumento de sopro feito com o chifre do carneiro ou do antílope, igual ao da foto.
O seu som reverbera no corpo e na alma. São homens que tocam os shofarim, mas, dentro de uma liturgia, eles representam uma convocação dos Céus que nos desperta da ilusão de que “a vida é o que construíram para a gente”, pois somos todos responsáveis pelo que nos tornamos e aquilo que vivemos.
Sabe a história das cracas que grudam nos cascos dos navios e os tornam cada vez mais lentos, podendo, inclusive, danificar partes vitais, como leme, hélice e coisas do gênero? Ao longo de nossa jornada também permitimos que condicionamentos, falsas crenças e emoções negativas – entre tantas outras cracas – criassem aderência em nosso sistema, tornando nossos passos cada vez mais pesados e comprometendo também nosso senso de direção.
A manutenção se faz através da higiene constante à base do orai e vigiai, mas, por vezes, levamos tempo demais distraídos no deserto e só percebemos o problema quando é mais difícil (não escrevi impossível) resolvê-lo.
O livro O Caminho da Autotransformação ensina, no capítulo 11, que a vida “nos sacode” de tempos em tempos para que esta massa estagnada se solte, daí o significado espiritual da crise, que tem por função nos botar de volta a um caminho de crescimento – qunto maior a resistência, maior a dor. As vibrações sonoras do shofar provocam efeito semelhante de forma mais amorosa, soltando amarras e quebrando padrões.
Não, não se trata de hocus pocus. Tudo é uma combinação de fatores e isso me lembra a frase que ouvi semana passada de que D’us não faz por você aquilo que você mesmo pode (e deve!) fazer, mas oferece as ferramentas adequadas para o trabalho.

5770, em hebraico
As letras que representam o número 5770, em hebraico, formam o acróstico para a frase Hashaná Tehê Shalom Alenu, que se traduz como “Que neste ano haja paz sobre nós”.
Lembrando que o shalom hebraico nos ensina que para estar em paz precisamos nos sentir completos/inteiros, que o som do shofar ao redor do mundo alcance nossas mentes e corações e promova as transformações que são necessária de dentro para fora, cada um no seu tempo, para que toda a humanidade experimente a verdadeira paz.
Leia também os outros posts sobre o Ano Novo Judaico aqui do Z, em 2007 e 2008.
Le Shana Tova. Le Ktiva ve Chatimá Tova.
“Por um ano bom. Pela inscrição e confirmação ao bom”
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