Incensos: Verdades e Mentiras

Dia desses comentava no Twitter sobre a crença de algumas pessoas que acender incenso limpa o ambiente. Um maluco no trabalho resolveu aproveitar a ausência de parte da equipe – e dos diretores, claro – para acender um Sai Flora na sala onde ele trabalha com outras 4 pessoas.
Disse que não era boa idéia, pois o Sai Flora é um masala, próprios para ambientes amplos e bem ventilados, o que não era o caso. Obviamente fui ignorado e a minha cotação de implicante deve ter subido alguns pontos.
Tiro e queda: em poucos minutos todas as salas estavam tomadas por um aroma intenso e, por isso mesmo, desagradável – “A dose certa diferencia o veneno do remédio”, já dizia Paracelso.
Em dado momento a criatura entrou na minha sala e perguntou a razão da janela estar aberta. Respondi o óbvio e ele justificou que a energia das pessoas estava muito ruim, por isso o ambiente precisava ser mudado. Ele ouviu de volta que se incenso promovesse real transformação nos ambientes e nas pessoas o Centro da Cidade e a Praça Saens Pena seriam o Paraíso na Terra – e não são.
“Pô, cara, você é todo zen e diz que não acredita no poder dos incensos?”
Não, acredito em reforma interior. De nada vale água limpa servida em um copo sujo. O ambiente é, supostamente, purificado apenas para que as pessoas o contaminem de novo. O Mal precisa ser cortado pela raíz.

Com a palavra, o Sr. Aurélio:
superstição
[Do lat. superstitione.]
Substantivo feminino.
- Sentimento religioso baseado no temor ou na ignorância, e que induz ao conhecimento de falsos deveres, ao receio de coisas fantásticas e à confiança em coisas ineficazes; crendice.
- Crença em presságios tirados de fatos puramente fortuitos.
- Apego exagerado e/ou infundado a qualquer coisa:
A moça tem a superstição do número treze.
Infelizmente, muitas das práticas energéticas/espiritualistas são cercadas por informações equivocadas, preguiça e fanatismo. Para muitos, dados históricos são irrelevantes e o que importa é a (falsa) promessa de problemas resolvidos sem muito esforço (ou esforço algum, de preferência).
O uso de incenso é muito antigo e esteve presente na matriz de diferentes civilizações como elemento condutor das preces para os deuses – a fumaça que se eleva em direção aos Céus – além de oferenda, em algumas culturas, para o olfato desses mesmos deuses em meio a outras oferendas dispostas no altar para agradar os demais sentidos.
Em um ambiente devocional, a queima destas resinas, madeiras, especiarias, etc trazem o benefício adicional de facilitar a meditação e o contato com níveis mais elevados da consciência, levando-se em consideração todo o contexto, claro.
Sabemos também que estes elementos vegetais (assim como os óleos 100% puros) possuem forte efeito bactericida. Nas epidemias, era comum a defumação para que os vírus não se propagassem. E, sim, por elevarem o padrão vibratório, formações de energia mal-qualificadas se dissipam com o uso de certos aromas, como o Olíbano, a Lavanda e o Sândalo, entre outros.
“Entao você está caindo em contradição”.
Não. E isso ocorre porque a grande maioria dos incensos disponíveis no mercado estão longe de ter, de fato, os componentes naturais adequados para a finalidade que se propõem. E aí, além de tapearem no processo pseudo-curativo ainda causam danos terríveis a médio e longo prazo, como comprovou a revista Pro Teste (leia o artigo na íntegra).
Queimando um incenso todos os dias, por exemplo, a pessoa inala a mesma quantidade de benzeno –substância cancerígena– contida em três cigarros, ou seja, em torno de 180 microgramas por metro cúbico. Há também alta concentração de formol, cerca de 20 microgramas por metro cúbico, que pode irritar as mucosas.
Fonte: Folha Online.
Eu mesmo já fazia uso de um número muito restrito de marcas (a maioria, para mim, cheirava palito queimado) e hoje até mesmo estas começaram a me incomodar. Quando se trabalha com Aromaterapia, dizem, a aversão a sintéticos aumenta - e olha que nem “trabalho”, efetivamente, com isso.
Talvez alguns ainda resistam a esta idéia e defendam o uso do masala, tido como um produto de qualidade. Para quem não está ligando o nome à pessoa, masalas são aqueles incensos que, a exemplo do Sai Flora, são mais “gordinhos”. No conceito original, seriam produzidos por homens santos que seguem determinados preceitos e confeccionam cada incenso entoando mantras indefinidamente, impregnando o produto acabado com aquelas vibrações espirituais.
Alguém por acaso acredita em um número enorme de sadhus trabalhando em escala mundial para abastecer o mercado? Pois é, eu também não.
Então, se a sua vontade é deixar um cheirinho agradável no ar que, além do bem-estar, pode trazer benefícios específicos, considere a possibilidade de adotar um aromatizador para ser usado com umas duas gotas do seu óleo essencial preferido ou mais adequado para a sua necessidade naquele momento (ou um spray com os óleos diluídos em álcool de cereais).
Para quem não acompanhou a história pelo Twitter, a experiência do “incenso purificador” acabou em bate-boca quando as pessoas retornaram e pegaram as salas ainda com cheiro forte. #fail
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