Zephyrus Tarot

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Sobre a natureza dos símbolos

Estou há alguns dias sem atualizar o Z  porque o tempo tem andado curto. Até comecei alguns rascunhos, encontrei coisas legais que quero publicar, mas não rolou, sorry!

Na categoria “Na Mochila”, estou lendo Psique e Medicina Tradicional Chinesa, de Helena Campiglia, cuja introdução aborda a natureza dos símbolos como condição inicial para se entender os fundamentos da Medicina Tradicional Chinesa (MTC) a partir de alguns ideogramas-chaves.

Pincei alguns trechos para cá. Não são poucas as pessoas que lidam com o Tarot e ainda têm dificuldades para entender o tema, de modo que espero que este post ajude com alguns insights. Por um lado é importante respeitar as regras básicas do Tarot, mas, por outro, é igualmente importante que não se tenha medo de entrar na carta — ou deixar o arcano sair!

Claro que tudo isso pode ficar comprometido com baralhos que seguem regras próprias, mas isso é tema para outra ocasião…

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O símbolo é a representação de algo, é mais que o próprio objeto visível e palpável, pois inclui sentidos ocultos e associados àquilo que está representando. O símbolo une diversos sentidos em uma só expressão. Uma pintura, um desenho ou mesmo a idéia de “céu” podem ter muitos sentidos: ar, voar, nuvens, paraíso, o céu em oposição a terra, o céu em oposição ao inferno, as estrelas do céu, o sol, etc. Ou seja, o símbolo inclui uma gama de significados e associações ligados àquilo que representa. O próprio símbolo não pode ser definido, por ser intrinsecamente maior que qualquer definição. Rompe os limites da lógica, pois reúne em si opostos e extremos.

Usar o símbolo para expressar idéias possibilita uma compreensão de todos os significados nele explícitos e implícitos. O símbolo é um caminho circular, total, abrangente e dinâmico, diferente da palavra que achata os significados a um plano linear e redutivo ou dos conceitos concretos, excludentes e estáticos que reduzem as possibilidades de se transcender à compreensão na direção de algo maior.

O símbolo traz, em si, invariavelmente, a polaridade: a luz e a sombra; o bem e o mal; o Yin e o Yang. Um leão pode ser símbolo de força e coragem, também de orgulho e soberba. A cruz, para os cristãos, é símbolo da morte de Jesus e também, da redenção dos pecados e da vida eterna. A água pode dar vida, como a chuva que irriga o solo, ou tirá-la, em enchentes ou dilúvios.

A interpretação deste ou daquele símbolo está sujeita a quem o interpreta, quando e em qual contexto. O objeto, no caso o símbolo, depende do observador. Um sonho pode trazer símbolos coletivos, ou ligados à história pessoal de quem o teve, ou ainda, pode representar uma situação vivida antes de adormecer. Interpretar um sonho, uma história, um quadro, uma escultura, um mito pode ser feito apenas parcialmente e, em muito, de forma subjetiva. O significado atribuído ao símbolo poderá variar imensamente, sendo sempre maior que uma definição pontual.

Segundo o filósofo hindu Ananda K. Coomaraswamy, simbolismo é a arte de pensar usando imagens. Em alemão, símbolo – sinbild – quer dizer, literalmente, imagem do sentido. O símbolo não pode ser compreendido apenas pela razão. Há, em cada símbolo, um conteúdo profundo que só pode ser apreendido por meio da intuição. A compreensão do símbolo pode gerar um insight e um salto evolutivo na vida psíquica do indivíduo.

[...] Os símbolos podem ser pessoais ou coletivos. Os pessoais adquirem seu status simbólico quando associam vivências carregadas de emoção ou sensações a determinada imagem. Por exemplo, a casa é uma imagem do si mesmo, do self, é referência de um lugar de descanso, de reencontro consigo. É, também, a própria imagem do Universo. Pode ser interpretada de acordo com suas partes: o telhado, os alicerces, os banheiros, etc.

Entretanto, uma determinada casa pode ter significado específico e particular para uma certa pessoa. Por exemplo, “em um domingo de verão, um casal vai visitar um amigo em sua casa de campo. Lá chegando, a esposa sofre um infarto e morre. Para o viúvo, a casa de campo do amigo ficará como símbolo de morte e, como tal, poderá ser relembrada em sonhos e imagens”. Entretanto, não se deve supor que símbolos pessoais sejam “inventados” pela mente consciente, pois eles só vêm carregados de significado quando surgem espontaneamente.

De modo geral, o símbolo é atemporal, mas existem conotações culturais associadas ao seu significado que podem estar relacionadas a uma certa época. Um símbolo jamais é completamente abstrato; ele apresenta aspectos vivos e presentes no corpo (não só na psique).

Outra característica do símbolo é a de que ele abarca e reúne em si a totalidade do que representa, mesmo sendo apenas um fragmento do todo. Nesse sentido, pode-se afirmar que o próprio homem representa simbolicamente toda a natureza, todo o universo. Ele não é, porém, a natureza ou o universo. Cada parte representada é única e individual, mas a soma delas é sempre diferente do total inicial, pois é acrescida das características individuais.

[...] Como visto anteriormente, o símbolo pode ser avaliado por meio de conceitos globais, mas apresenta conotações específicas, que mudam de indivíduo para indivíduo, de situação para situação (o objeto depende do observador). O significado final do símbolo não pode ser apreendido. Ele fica sempre parcialmente inconsciente. Portanto, interpretações de um símbolo não são finais ou absolutas. Nem toda cobra representa um símbolo fálico: seus significados são inúmeros e alguns ficarão ocultos. {imagem: Etruscan Tarot}

Na interpretação do símbolo, deve-se abrir o leque de opções: buscar referências na literatura, na arte e na música, pensar, sentir e intuir a respeito do seu significado e, finalmente, reunir uma variedade de interpretações. Algumas farão sentido, outras não. Pode-se observar a forma, a cor, o brilho, a emoção associada àquele símbolo e fazer ligações com outros. Escolhido o caminho, fecha-se a interpretação, focando um ou alguns aspectos, tendo, porém, em mente que sempre uma parte do significado do símbolo ficou intocada.

[...] Segundo Whitmont, em seu livro A Busca do Símbolo:

As imagens surgem como portadoras de mensagens que estão faltando – às vezes, perigosamente faltando – em conseqüência de opiniões e convicções unilaterais do consciente.

O autor acredita que o modo primordial de funcionamento da mente é via imagem. Só depois de formada a imagem, pode-se abstrair seu significado. Algumas imagens são carregadas de emoções que se perdem ao se elaborar seu significado. Para Whitmon, os conceitos formados são secundários às imagens e, para se ter acesso à emoção, deve-se recorrer a elas ou aos símbolos. As imagens psíquicas não seriam apenas fruto do que se observa no exterior, mas também do contato da realidade externa com o mundo interior.

[...] No universo simbólico, o indivíduo não só entende a doença como símbolo, mas também seu tratamento. São caminhos nos quais a pessoa aprende mais sobre si mesmo e sobre as relações do mundo interno com o externo.

Em chinês, símbolo é Xiang, que representa a pegada de um elefante. A pegada pode ser vista, mas o elefante não está mais lá. Para algumas culturas, é mais fácil pensar simbolicamente, pois a mente dos indivíduos é treinada com imagens e não com conceitos. Esse “pensar” por meio de imagens é desenvolvido, muitas vezes, com o uso da linguagem, pois algumas línguas são escritas em símbolos como a chinesa, a japonesa, a egípcia antiga e trazem uma ampla gama de significados a cada palavra. Diz-se que as palavras fazem do infinito finito. Já o símbolo é capaz de ampliar os limites e tocar o infinito.

~ Helena Campiglia

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  • Marcia

    Marcelo,
    artigo ótimo como todos os que voce nos traz.
    Os símbolos no Tarot são uma fonte incrivel de
    leitura. As Laminas, com suas imagens, desvendam
    muito mais do que ler o significado de cada uma.
    Aproveito o espaço para agradecer a sua postagem
    sobre os Florais Australianos. Achei onde moro
    uma terapeuta que trabalha com eles e já estou
    tomando, com ótimos resultados.
    forte abraço e paz!
    Namastê
    Marcia

  • Marcia

    Marcelo,
    artigo ótimo como todos os que voce nos traz.
    Os símbolos no Tarot são uma fonte incrivel de
    leitura. As Laminas, com suas imagens, desvendam
    muito mais do que ler o significado de cada uma.
    Aproveito o espaço para agradecer a sua postagem
    sobre os Florais Australianos. Achei onde moro
    uma terapeuta que trabalha com eles e já estou
    tomando, com ótimos resultados.
    forte abraço e paz!
    Namastê
    Marcia

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno

    Hei, Márcia, obrigado. Já recebeu o certificado?

    bjo

    Marcelo

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo | zephyrus.blog.br

    Hei, Márcia, obrigado. Já recebeu o certificado?

    bjo

    Marcelo

  • Nádia Carvalho

    Extremamente rico este texto sobre símbolos.
    Obrigada.

  • Nádia Carvalho

    Extremamente rico este texto sobre símbolos.
    Obrigada.

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno

    Oi, Nádia

    A tradição chinesa é rica em símbolos para praticamente qualquer coisa. Legal, por exemplo, falarem dos estados de saúde através de climas e a gente descobrir, no fim das contas, que tudo faz um enorme sentido.

    []‘s

    Marcelo

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno

    Oi, Nádia

    A tradição chinesa é rica em símbolos para praticamente qualquer coisa. Legal, por exemplo, falarem dos estados de saúde através de climas e a gente descobrir, no fim das contas, que tudo faz um enorme sentido.

    []‘s

    Marcelo