Zephyrus Tarot

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Perdão e Liberdade

Estamos no mês judaico de Nissan desde último o dia 25, um período que traz consigo a energia que precisamos para “sair do Egito em direção à Terra Prometida”. Esta semana, na noite do dia 8, véspera da Lua Cheia, celebra-se Pessach.

“Egito” e “Terra Prometida”, aqui, não são localizações geográficas, mas estados da mente – que fique bem claro isso – sendo Egito uma palavra-código que representa tudo aquilo que nos escraviza, como os hebreus foram escravizados  por 400 anos.

Pensando nos caminhos que nos levam para fora do Egito, me ocorreu de escrever sobre o perdão, um tema que já abordei de leve antes (aqui e aqui) e continua aparecendo para mim over and over.

Ser capaz de perdoar pode ser  muito fácil para um e um verdadeiro desafio para outro. O que diferencia os dois, muito provavelmente, é a presença de uma “consciência atribuidora de culpas”. Quanto mais forte esta inclinação,  um tanto mais complicado sair deste emaranhado de sentimentos de perda, mágoa, vergonha e falta de confiança (na humanidade e em si mesmo).

Ser capaz ou incapaz de perdoar, contudo, não classifica uma pessoa como boa ou má, por favor. Temos, todos nós, feridas que nos acompanham desde a infância e elas se manifestam de diferentes formas como um tipo de defesa burra – o objetivo é nos proteger da dor, mas dor é exatamente o resultado final de sua atuação.

Perdão é um assunto delicado. De modo geral, sempre rola um certo desgaste, pois quanto mais a pessoa precisa trabalhar o perdão, mais resiste em compreendê-lo corretamente. Tolice tentar convencer alguém disso em uma conversa – ou 10!. A gente lança as sementes e espera que elas caiam em solo fértil para que germinem no tempo certo, sem pressão.

Já ouvi de tudo um pouco: pessoas que terminantemente se recusam a perdoar porque acham que quem erra uma vez, erra duas; pessoas com vivências pesadas que esperam que uma Justiça Divina prevaleça para que se sintam “vingadas” (com ou sem aspas); pessoas com alguma abertura para a espiritualidade e que, no entanto, saem pela tangente e pedem para que seus mentores perdoem no lugar delas, dando o assunto por resolvido; e pessoas que perdoam sem avisar que existe um script, logo, se a criatura para quem o perdão é endereçado não segue o roteiro (o ego sempre atrapalha) a situação azeda e novo, agora com um novo motivo.

Duas citações não poderiam ficar de fora deste post:

A primeira, extraída de um episódio de Eli Stone (S02E09), onde um pastor afirma que “Perdão não é um presente para os outros, é para nós mesmos”.

A segunda, do Osho, que diz que nos equivocamos ao pensar que perdão é para quem merece, pois, neste caso, você não estaria fazendo nada mais do que a sua obrigação. O desafio é perdoar/ser compassivo justamente com quem não merece.

Um problema no discurso pró-perdão é que ele tende a possuir um cunho religioso que resulta em revolta ou sentimento de autocondenação por parte de quem deveria estar perdoando. É preciso ter em mente, antes de qualquer outra coisa, que perdoar  não é esquecer, mas deixar para trás – ponto. Não se trata de absolver ou se ver obrigado a reconciliar. Também não faz de você um fraco ou, do contrário, mostra a sua superioridade – olha o ego aí de novo!

Entenda que no estado de não-perdão somos sempre prisioneiros de histórias mal-resolvidas que irão impactar negativamente nossas vidas de uma forma ou de outra, mesmo que não tenhamos consciência disso. Por vezes até achamos ter perdoado, afirmamos não pensar mais no assunto, mas, no íntimo, algo permanece ativo, sabotando pensamentos, palavras e ações.

E para quem acha que perdão é algo que sempre tem a ver com o outro, volte dois passos: o perdão tem muito a ver também com a forma que digerimos (ou não!) os  erros que cometemos no passado. E aí ficamos ruminando isso, repassando o que fizemos e o que deveríamos ter feito inúmeras vezes.

Vem daí a idéia de ressentimento, que é “sentir novamente”. A pessoa fica estacionada naquele momento de dor como um disco arranhado – para quem ainda sabe o significa esta expressão. Quando se lembra ou conta para alguém, não são raras as vezes em que a emoção transborda porque não está no aqui-agora, mas “lá”, onde tudo aconteceu, não importa quanto tempo tenha passado.

Certamente por causa disso que Leslie Temple-Thurston fala sobre a necessidade de “abandonar a maneira como contamos uma história para nós mesmos”. Ela diz que aquilo que criamos pode ser reescrito. Não, não se trata de uma fórmula do tipo O Segredo, mas de uma liberação de energia mal-qualificada.

Dentro da Cura Prânica trabalhamos na identificação e rompimento de elos psíquicos desta natureza. Quando o grilhão se rompe, a percepção muda, a ferida cicatriza, resgatamos o nosso poder – o pleno exercício do livre-arbítrio. {imagem: detalhe da carta do Diabo – Rider-Waite Tarot}

“Como assim? Não faz parte do livre-arbítrio não querer perdoar?”

Sim, claro. Mas quando impregnados por sentimentos negativos, entramos em sintonia com vibrações mais baixas que interferem na forma como absorvemos informações e atuamos no mundo. Para muitos este sofrimento chega a ser a razâo de suas existências, tal o grau de envenenamento em que se encontram.

No livro Retornando à Unidade, Leslie Temple-Thurston desenvolve uma teoria interessante de pontos entre chakras que permitem (ou inibem) o seu pleno funcionamento. Entre o Plexo Solar e o Cardíaco, por exemplo, se encontra um ponto ligado às traições – tanto as reais como as que acreditamos existir.

Ele fica bem em cima do diafragma, dividindo o abdômen do tórax. Enquanto este portal permanece fechado, as energias inferiores não alcançam o Cardíaco, que é a sede das emoções superiores. Neste nível, para a consciência distorcida, o mundo se divide em vítimas e tiranos -  nada mais – sendo a traição o registro mental/emocional de que não tivemos nossas necessidades atendidas por algum motivo “injusto”.

Não consideramos nessa hora que somos imperfeitos como são (foram) imperfeitos nossos pais, amigos, afetos, chefes e subalternos. Todos querem ser felizes e julgam fazer o que é melhor  dentro das limitações que possuem, mas nem sempre as coisas saem como deveriam ser. A questão não é entrar no mérito de certo ou errado, mas observar a marca que isso deixa na sua alma.

Existem discussões mais profundas, como a consciência da responsabilidade por tudo o que vivenciamos, mas não vou avançar neste território. A proposta aqui é simples: você pode achar que tem toda a razão e estou escrevendo um monte de bobagens porque não sei o tamanho do mal que lhe fizeram ou pode considerar que este sentimento tem realmente um efeito nocivo e precisa ser eliminado.

Se você é do segundo time, pode não ter a menor idéia de como fazer isso, mas se chegou neste ponto, já fez um enorme progresso.

O perdão pode ser exercitado diariamente de diferentes formas, por vezes quase como uma doutrinação. Os judeus, seguindo o livro de orações, encontram uma prece que considero muito especial para ser feita antes de dormir:

“Eu perdôo a todo aquele que me magoou e me zangou, ou que me fez mal, tanto ao meu corpo como à minha propriedade, à minha honra e tudo que eu possuo; tanto contra a sua vontade ou com a sua vontade, tanto sem querer como premeditadamente, tanto com palavras como com ações; enfim, peço para que nenhum ser humano seja castigado por minha causa”.

O Hareni Mochel pode ser um grande desafio quando estamos irritados com alguém, mas quando o colocamos como uma prática diária, somos levados a buscar em nós a consciência da liberdade, pois cultivar o não-perdão é permanecer no Egito e não queremos isso para nós, e sim a “terra que emana leite e mel” – um estado da mente que pode ser alcançado neste exato instante.

Dentre os óleos essenciais, é dito que o Cedro, em especial, trabalha o perdão, mas não tenho nenhum depoimento com relação a isso. Use óleo 100% natural e aplique, diluído no carreador, 2 gotas no diafragma, mentalizando a dissolução do nó que existe ali.

Conversando com Gorethi Moura (Recife/PE), terapeuta que trabalha com Aromaterapia e Florais Australianos, tive a sugestão de outros óleos e a forte indicação do floral Dagger Hakea. Ainda esta semana publico um texto que ela me passou sobre ele.

Antes disso, havia escrito para a Carol, do blog Terapia Floral, pedindo uma ajuda.  A resposta dela reproduzo a seguir:

Alguns florais podem ser de grande ajuda no exercício do perdão, como o Willow, de Bach, indicado para quem guarda ressentimento e amargor e é incapaz de perdoar os erros alheios, sempre achando que os outros são os culpados por todos os seus problemas.

Com este floral, a pessoa passa de espectador a ator principal e aprende a olhar a vida de maneira positiva, com a consciência de que não são os outros que lhe causam contratempos mas ela que permite que as coisas o incomodem tanto.

A essência suaviza o ressentimento e a postura de eterna vítima das circunstâncias. A pessoa assume a responsabilidade por suas situações na vida escolhendo atitudes positivas e, portanto, colhendo resultados positivos também. Fluindo de maneira mais suave com o desenrolar dos acontecimentos é mais fácil ceder e perdoar.

Beech, também de Bach, é a essência dos muito críticos, ideal para quem projeta o tempo todo imagens negativas dos outros ou defeitos por questões preconceituosas. São pessoas desaprovadoras e intolerantes. A essência desperta nelas o amor, a aceitação incondicional e a capacidade de perdão, abrindo o coração para perceber o lado positivo de cada pessoa e situação.

É preciso conhecer antes de julgar. Na verdade, o ideal é não julgar mas compreender que as pessoas são diferentes e únicas e cada uma delas pode trazer algo de muito construtivo para nós. Basta abrir a cabeça e o coração.

- Carol Arêas – blog Terapia Floral

Chag Pessach Sameach! Possam todos se beneficiar.

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  • Soraia

    Olá!
    Não tenho muito ou melhor nada para comentar sobre este post que está ÓTIMO!
    Só quero agradecer pela oportunidade que você nos dá de aprendermos um pouco mais a cada post.
    Sejam com as tradições do budismo,judaismo, xamanismo… enfim tudo de bom que você APRENDE e que não PRENDE.
    Sopra pra nós!!!(Aquela arvorezinha com o simbolo yin/yang e o texto são 10!).
    Já estou no final de MARCAS DA ALMA, e ontem colocando a leitura em dia encontrei algo sobre este post em: FRAGMENTOS DE RECORDAÇÃO: O RITUAL DE CONTAR HISTÓRIAS.
    Excelente. Os capítulos 7 (me vi nele) e 11 são os meus preferidos.

    No mais, obrigada e Feliz Páscoa!

    Abraços,
    Soraia.

  • Soraia

    Olá!
    Não tenho muito ou melhor nada para comentar sobre este post que está ÓTIMO!
    Só quero agradecer pela oportunidade que você nos dá de aprendermos um pouco mais a cada post.
    Sejam com as tradições do budismo,judaismo, xamanismo… enfim tudo de bom que você APRENDE e que não PRENDE.
    Sopra pra nós!!!(Aquela arvorezinha com o simbolo yin/yang e o texto são 10!).
    Já estou no final de MARCAS DA ALMA, e ontem colocando a leitura em dia encontrei algo sobre este post em: FRAGMENTOS DE RECORDAÇÃO: O RITUAL DE CONTAR HISTÓRIAS.
    Excelente. Os capítulos 7 (me vi nele) e 11 são os meus preferidos.

    No mais, obrigada e Feliz Páscoa!

    Abraços,
    Soraia.

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno

    Oi, Soraia, que bom que está gostando do Marcas. De cabeça não sei sobre o que se trata os capítulos a que você se refere, mas vou dar uma olhada.

    Estou com o Bonder na mochila (“Alma Imoral”), mas querendo namorar Pierrakos de novo com “Entrega ao Deus Interior”, que tenho há um bom tempo (quando possível, é bom comprar tudo, pois alguns títulos andam desaparecendo rapidamente) mas ainda não li.

    Outra boa dica é “Sem Tempo a Perder”, da Pema Chodron. Estava quase no final, mas esqueci o livro no avião na minha última viagem a trabalho, paciência… :( Espero que traga bons insights para a vida de alguém.

    bjo

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo | zephyrus.blog.br

    Oi, Soraia, que bom que está gostando do Marcas. De cabeça não sei sobre o que se trata os capítulos a que você se refere, mas vou dar uma olhada.

    Estou com o Bonder na mochila (“Alma Imoral”), mas querendo namorar Pierrakos de novo com “Entrega ao Deus Interior”, que tenho há um bom tempo (quando possível, é bom comprar tudo, pois alguns títulos andam desaparecendo rapidamente) mas ainda não li.

    Outra boa dica é “Sem Tempo a Perder”, da Pema Chodron. Estava quase no final, mas esqueci o livro no avião na minha última viagem a trabalho, paciência… :( Espero que traga bons insights para a vida de alguém.

    bjo

  • Soraia

    Olá!
    Com relação aos 2 capítulos que citei o 7º com o sub título de
    “O líder solitário” e o 11º “Felicidade: Consequência do chamado”.
    Quando disse que me encontrei neles (não com a responsabilidade de Moisés),mas no meu pequeno mundinho, tem certas decisões que devemos tomar e que podem afetar um conjunto de coisas e é ai que vem essa “solidão” para refletir e assumir a consequência dessa decisão.
    No 11, mostra que em tudo e por tudo a melhor saida é a ALEGRIA como fonte de energia, a aceitação de ser o que se é e de valorizar o que temos/somos e não o que nos falta.
    Já esse da Eva,muito bom!
    Os outros não conheço, vou dar uma olhada!
    Acho que tenho mania de livros… na falta do novo ou da grana para o novo, recorro aos sebos, tenho econtrado livros praticamente novos!
    Perdi meu preconceito quanto me vi “necessitada” de ler “tudo” de Angela Maria la Sala Batá, aí da-lhe sebo!
    bjs

  • Soraia

    Olá!
    Com relação aos 2 capítulos que citei o 7º com o sub título de
    “O líder solitário” e o 11º “Felicidade: Consequência do chamado”.
    Quando disse que me encontrei neles (não com a responsabilidade de Moisés),mas no meu pequeno mundinho, tem certas decisões que devemos tomar e que podem afetar um conjunto de coisas e é ai que vem essa “solidão” para refletir e assumir a consequência dessa decisão.
    No 11, mostra que em tudo e por tudo a melhor saida é a ALEGRIA como fonte de energia, a aceitação de ser o que se é e de valorizar o que temos/somos e não o que nos falta.
    Já esse da Eva,muito bom!
    Os outros não conheço, vou dar uma olhada!
    Acho que tenho mania de livros… na falta do novo ou da grana para o novo, recorro aos sebos, tenho econtrado livros praticamente novos!
    Perdi meu preconceito quanto me vi “necessitada” de ler “tudo” de Angela Maria la Sala Batá, aí da-lhe sebo!
    bjs

  • Celestino

    Olá !!!

    `Vocês escrevem e estudam saber sobre o qual não tenho conhecimento mas desperta em mim um grande interesse.
    Por favor podem explicar-me como faço corresponder a hora indicada na tabela “LUA FORA DE FUSO” para a hora em Portugal e na Russia, enfim para respeitar a recomendação de não tomar ou trablhar assuntos delicados ou importantes naqueles periodos.
    Obrigado bem hajam pela vossa divulgação.
    Celestino

  • Celestino

    Olá !!!

    `Vocês escrevem e estudam saber sobre o qual não tenho conhecimento mas desperta em mim um grande interesse.
    Por favor podem explicar-me como faço corresponder a hora indicada na tabela “LUA FORA DE FUSO” para a hora em Portugal e na Russia, enfim para respeitar a recomendação de não tomar ou trablhar assuntos delicados ou importantes naqueles periodos.
    Obrigado bem hajam pela vossa divulgação.
    Celestino

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno

    Oi, Celestino. Esta tabela tem como referência o fuso do Brasil, 3 horas a menos do que em Greenwich. Considere o fuso de sua localidade para encontrar o hor´rio correspondente para você.

    []‘s

    Marcelo

  • http://www.zephyrus.blog.br Marcelo | zephyrus.blog.br

    Oi, Celestino. Esta tabela tem como referência o fuso do Brasil, 3 horas a menos do que em Greenwich. Considere o fuso de sua localidade para encontrar o hor´rio correspondente para você.

    []‘s

    Marcelo

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