Abrindo os ouvidos, expandindo a consciência
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Fiz uma votação no antigo Z e, por escolha dos leitores, ficou definido que depois da Temperança escreveria sobre o Julgamento. Eis-me aqui. Antes tarde do que nunca. :)
A imagem, todos conhecem, faz alusão a uma passagem do livro do Apocalipse, palavra de origem grega que significa “Revelação” [Divina], e não “Juízo Final”, como muitos nos fazem crer e gera alguma confusão, inclusive, com relação aos atributos da carta. {imagem: Hanson-Roberts Tarot}
Nos dias de hoje, expressões como Nova Consciência, Nova Energia, Nova Terra, entre outras de natureza equivalente, parecem substituir um pouco a idéia de que os justos serão glorificados nos Céus enquanto os ímpios serão lançados no fogo do Inferno para que padeçam eternamente.
O Julgamento, cá entre nós, não está preocupado com a separação e encaminhamento de quem é bom e de quem é mau seja lá para onde for, mas, antes disso, se refere a estados da mente. Céu e Inferno não são lugares para onde vamos, mas algo que experimentamos AQUI e AGORA.
“Mundo mudou e precisamos mudar com ele”, disse o presidente eleito dos EUA, Barak-Yes-We-Can-Obama, em seu discurso de posse. Isto faz todo sentido vindo do primeiro presidente americano negro e faz mais sentido ainda em meio à crise que eles estão vivendo – é mudar ou quebrar!
No entanto, há anos que se fala da inevitável escassez dos recursos naturais que nos aguarda, por exemplo, e nem assim vemos um número significativo de pessoas comprometidas em projetos de sustentabilidade – pelo contrário.
E o ponto é exatamemte este: mais do que um Arcano de mudança, o Julgamento é uma carta de consciência da mudança. As regras mudam e muitos continuam a jogar da mesma forma, acumulando frustrações até que, num lampejo de sabedoria, conseguem perceber a realidade (e a eles mesmos, claro) de forma ampliada.
Se fosse um desenho da Disney, talvez as nuvens negras se dissipassem revelando o Sol. E onde quer que a luz tocasse, o que era seco e estéril se tornaria verde e cheio de vida. Como se trata de uma lâmina do Tarot, as nuvens (nem tão escuras assim) também se abrem, mas o que sai por trás delas é um anjo (representação de um estado mais elevado da alma) tocando uma trombeta – falo dela mais à frente. {imagem: Osho Zen Tarot}
Se no Osho Zen Tarot a carta do Mundo exibe a última peça do quebra-cabeça sendo encaixada, foi na fase Julgamento que tudo pareceu fazer sentido, tornando possível a conclusão.
Esta introdução pode soar espiritualista para alguns, mas não é. As pessoas transformaram o despertar da consciência em algo místico, mas nem toda revelação o transforma em um Buddha.
Vamos pegar situações bem práticas: pode ser a perda de um emprego ou o convite para uma nova empresa; pode ser o surgimento de um novo amor ou o fim de um relacionamento significativo; pode ser uma mudança de cidade ou país; também o prêmio acumulado da Mega Sena, não importa. Estou relacionando coisas boas e ruins.
Todas estas situações – entre tantas outras – causam um grande impacto quando acontecem, colocam o mundo de cabeça para baixo, mas depois vem a acomodação. Voltamos ao que se poderia se chamar de “normal” ou nos tornamos um pouco piores, pois surgem os apegos, medos e mágoas nas situações ruins ou excessos, como a arrogância, na bem-aventurança.
Essas mudanças cotidianas estão presentes em outras cartas. Quando alguns autores afirmam que “nada será como antes”, interpreto daqui que isso tem muito a ver com uma condição interna. Pode ser, inclusive, que nada aconteça fora num primeiro momento, mas uma mudança de percepção faz com que o convívio com as pessoas e a administração de todas as questões do dia-a-dia mudem, pois o “filtro” é outro.
O gatilho de mudança vai depender de cada um. Alguns lograrão sucesso através de alguma ajuda terapêutica, outros, através da reflexão pessoal, práticas meditativas ou atenção aos sinais, não vou entrar neste mérito, mas é sempre algo integral, dentro e fora, pensamentos, palavras e ações. Lembre-se que “o hábito não faz o monge”. {imagem: Marseille Camoin-Jodorowsky}
Um número variado de baralhos apresentam idéias diferentes e todas podem ser aproveitadas, dependendo do contexto. No Marseille, uma criança sai da tumba, sendo recebida por um casal. Em outras, os três saem de túmulos distintos, louvando o anjo sobre suas cabeças. Em um terceiro grupo, o som da trombeta parece incomodar estes renascidos.
Esta cena, em particular, me remete a outra passagem bíblica: a outorga da Torá no Monte Sinai. O texto relata que no momemto em que D’us começa a falar com os hebreus, eles não aguentam a pressão e pedem para que Ele fale com Moshé (Moisés) somente e este lhes sirva de interlocutor. A explicação é que eles, ao contrário de Moshé, não tinham preparo espiritual suficiente para entrar em contato com a intensidade daquela vibração.
Esta me parece uma boa interpretação para quando a carta do Julgamento aparece como ponto delicado de um jogo: talvez a pessoa não esteja preparada para lidar com a verdade. A trombeta soa, mas ela tapa os ouvidos para “se proteger” daquilo que lhe parece uma ameaça: o fim das coisas como elas lhe parecem ser.
O judeu religioso faz duas vezes ao dia a oração que diz Shema Israel, Ad-nai Eloheinu, Ad-nai Echad (Ouça, Israel, Ad-nai é nosso D-us, Ad-nai é Um). O “ouça”, aqui, não tem o sentido de quem se aliena com seu iPod no Metrô, mas um comando para que se perceba toda a dimensão do que é dito na seqüência.
Ouvir, com estas características, tem a ver com o pleno entendimento do propósito por trás de cada experiência, pois nada é por acaso e tudo está interligado, como na história do bater de asas de uma borboleta capaz de provocar um furacão no outro lado do mundo.
Ouvir, principalmente, nos ajuda a perceber que somos os únicos responsáveis pelas nossas vidas, pois pavimentamos, conscientes ou não, o caminho à nossa frente e não há uma rota predeterminada a se cumprir. Tudo está ligado às nossas crenças, muitas delas ocultas, trabalhando de forma sutil até serem desestabilizadas pelo som da trombeta.

Em muitas tradições instrumentos de sopro são utilizados para afastar os maus espíritos ou para propagar uma verdade. O som vibra o ar e a nós mesmos, aguçando o nosso senso de presença. Quanto mais presentes (conscientes), maiores as oportunidades de transformação e cura.
Do ponto-de-vista da energia, esta vibração sonora altera as nossas frequências, promove o relaxamento e dissolve bloqueios.
Obviamente esta é apenas uma abordagem a respeito do Arcano XX. Uma provocação para discussões saudáveis. A ilustração nos aponta para outras referências, como convocações, assuntos associados à família ou ao coletivo. Dentro de um contexto espiritual, pode representar a egrégora da qual se faz parte ou se referir, especificamente, a um chamado, quando a vocação – ou “marca da alma”, como propõe Marc Gafni – se revela.
Seja como for, não feche os ouvidos, mantenha a mente e o coração receptivos e saiba que o anjo não é outro senão você mesmo em uma dimensão acima da sua atual compreensão. Simplesmente confie, respire fundo e abrace o seu destino.
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Nosso medo mais profundo não é o de sermos inadequados.
Nosso medo mais profundo é que somos poderosos além de qualquer medida.
É a nossa Luz, e não as nossas trevas, que nos apavora.
Nós nos perguntamos: Quem sou eu para ser brilhante, maravilhoso, talentoso, fabuloso?
Na realidade, quem é você para não ser?
Você é filho do Universo. Se fazer pequeno não ajuda o mundo.
Não há iluminação em se encolher para que os outros não se sintam inseguros quando estão perto de você.
Nascemos para manifestar a glória do Universo que está dentro de nós.
Ela não está apenas em um de nós, mas em todos nós.
E conforme deixamos a nossa Luz brilhar, damos inconscientemente permissão para a os outros fazerem o mesmo.
E conforme nos libertamos do nosso medo, nossa presença automaticamente libera os outros.
- Nelson Mandela
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