Mahakala

Na tradição budista encontramos deidades pacíficas e iradas. “Deidade” é a forma simplista de se referir ao Yidam, mas cabe aqui dizer que isso é incorreto. Yidam significa, ao pé da letra, “mente sagrada” ou “mente do compromisso”.
Meditamos no yidam não para pedir favores e realizações terrenas, mas para despertarmos, em nós, seus atributos e, com isso, alcançarmos a autorealização.
Os mais desavisados poderão confundir as deidades iradas como seres demoníacos, mas isso está longe da verdade. Eles são expressões enérgicas da sabedoria, se é que estou usando as palavras corretas, utilizadas para combater de forma contundente os nossos obscurecimentos mais cascudos.
Estou fazendo esta pequena introdução só para contar que, como havia, planejado, fui passar o fim de tarde do meu aniversário, no último domingo, fazendo a prática da Tara Verde, mas dei de cara com a prática de Mahakala, Protetor do Budismo Tibetano, o que me pareceu bastante auspicioso.
Dependendo da linhagem, podemos encontrar diferentes representações de Mahakala, com 2, 4 ou 6 braços, por exemplo. Na iconografia budista cada detalhe tem um significado. De modo geral, as práticas de Mahakala são rituais de purificação.
Aqui no Rio de Janeiro, as práticas de Tchenrezi na KTC (terças e domingos) são sempre seguidas pela prática de Mahakala. Na KTT, que é onde tenho feito as minhas práticas ultimamente, antes se fazia Tchenrezi aos domingos e agora temos a Tara Verde no lugar.
E por que estavam fazendo Mahakala?
Na verdade, já tinham feito Mahakala na semana anterior, só que eu não tinha ido e não estava sabendo da programação. No próximo domingo também teremos Mahakala, mas não a prática comum, e sim o Tsog de Mahakala – tsog é uma cerimônia de oferendas que envolve alimentos e bebidas de diferentes sabores que são compartilhados entre os presentes.
O propósito destes rituais com Mahakala é nos preparar para o Losar, o Ano Novo Budista, no próximo dia 25. De modo geral estas práticas de purificação são realizadas durante os 5 dias anteriores ao Losar. A KTT, em Botafogo, está localizada extamente onde há uma grande concentração de foliões. Mesmo neste domingo, era o Lama Tartchin conduzindo a prática dentro e um carro de som cantando “Madalena, Madalena, você é meu bem querer… “ do lado de fora, por isso a opção de 3 domingos a 5 dias de Carnaval.
Já escrevi antes sobre a história de Tchenrezi e o seu voto de não descansar até que tivesse liberado todos os seres em todos os reinos do sofrimento. Foi numa dessas que ele adquiriu a forma de 11 cabeças e 1000 braços, mas ainda assim as coisas estavam difíceis. {imagem: sílaba Hung}
Então, depois de meditar por uma semana, concluiu que deveria manifestar uma forma colérica para combater os seres degenerados desta Era em que a obscurecência é muito forte. Eis que de seu coração se projeta a sílaba Hung na cor azul escura e ela se transforma em Mahakala.
Ainda sobre o domingo, comentei com uma leitora aqui do Z que o Lama Tartchin acabou de retornar de três meses no Tibet e trouxe várias coisas para vender. Não resisti e me dei de presente de aniversário uma thanka de Tchenrezi, que era algo que eu desejava há muito tempo e ou faltava dinheiro ou, efetivamente, uma pintura que me desse aquele estalo “é essa!”. Pois, então, a minha thanka estava lá me esperando.
Ela me perguntou o que era thanka e para que servia. Respondi que era um objeto de meditação e que existe toda uma ciência por trás disso, mas peguei depois uma definição mais precisa que aproveito para publicar aqui:
As pinturas tibetanas (tib. thang ka) passaram a ser usadas como suporte para as práticas meditativas com visualizações. Elas representam iconograficamente a filosofia budista, o caminho do despertar e a meta da iluminação. As imagens, proporções e simbolismo são derivados de antigos textos budistas. Tradicionalmente, as pinturas são executadas sobre telas de algodão e montadas sobre brocados de seda. As tintas são feitas com pigmentos minerais e vegetais, e às vezes com ouro e prata. Os pintores tibetanos também se especializaram em pinturas com um número de cores reduzido — pinturas prateadas, douradas, vermelhas e negras são muito comuns — fonte: DharmaNet
O valor de uma thanka varia de acordo com quem pintou, tamanho da tela, número de cores e, em especial, a presença do dourado. Todas têm como acabamento algo que se dá o nome de “vestimenta” – assim ouvi uma vez – que é uma moldura larga em tecido brocado, uma cobertura na cor amarela (você cobre o quadro quando vai transportá-lo ou por algum outro motivo em especial) e duas fitas vermelhas que ficam pendendo à frenta da tela.
Possam todos se beneficiar!

~ Tirei algumas informações sobre Mahakala do Khandro.net
-
Natasha Melo
-
Natasha Melo
-
http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno








