Sobre os Três Potes
Posted by Marcelo BuenoNov 28
O propósito da Luz Espiritual é alcançar o Mundo Físico. Os judeus colocam isso em um diagrama, a Árvore da Vida, e descreve uma rota de Kether a Malhut em 10 “estações”.
“Next stop, Netzach station” – anunciaria o Metrô Rio.
Muitas coisas podem acontecer neste trajeto e freqüentemente a Luz não chega ou não alcança a sua plenitude realizadora por temos assuntos mal-resolvidos para administrar. E se tudo foi bem no caminho, ainda assim corremos o risco do receptor – Malchut, o vaso que recebe e dá forma à matéria indiferenciada – não estar em condições adequadas para acolher as bênçãos que são colocadas à nossa disposição.
O texto a seguir é de Pema Chödrön interpretando Shantideva. O assunto gira em torno no nosso aprendizado das leis espirituais, mas a metáfora dos potes serve para tudo mais.
Aproveitando este ingresso no mês de Kislev, aproveite para meditar sobre o seu pote. Se tudo mais estiver certo – e é pouco provável que esteja, mas vamos pular esta parte – procure a verdadeira receptividade em sua alma. Ela está por lá, em algum lugar, talvez meio empoeirada pela ignorância e/ou escondida pela arrogância, mas está à sua disposição assim que você se tornar consciente dela e passar a policiar pensamentos, palavras e ações.
4.13
Empenhando-se em benefício de todos os seres vivos,
Incontáveis budas já vieram e passaram;
No entanto, em razão de meus pecados,
Nunca consegui me colocar ao alcance do poder de cura de suas obras.Shantideva
As bênçãos do Buda brilham sobre todos nós sem distinção. Mas se estivermos vivendo as nossas vidas em uma caverna voltada para o norte, não receberemos o benefício do que é oferecido. Três atitudes nos impedem de receber um fluxo contínuo de bênçãos. Elas são comparadas a três “potes”: um pote cheio, um pote com veneno e um pote com um buraco no fundo.
O pote cheio até a borda é como uma mente cheia de opiniões e preconceitos. Já sabemos tudo. Temos tantas ideias rígidas que nada novo pode nos afetar ou nos levar a questionar as nossas suposições.
O pote que contém veneno é como uma mente tão cínica, crítica e julgadora que tudo fica envenenado pela sua aspereza. Não permite nenhuma abertura e nenhum desejo de explorar os ensinamentos ou qualquer coisa que desafie a nossa postura correia.
O pote com um buraco é como uma mente distraída: nosso corpo está presente, mas estamos perdidos nos pensamentos. Estamos tão ocupados pensando nas férias desejadas ou no que teremos para jantar que ficamos completamente surdos ao que está sendo dito.
Sabendo como é triste receber as bênçãos e não ser capaz de se beneficiar, Shantideva deseja se salvar da aflição permanecendo aberto e atento. Nada melhorará, diz ele, a não ser que fiquemos mais inteligentes a respeito da causa e efeito. Esta é uma mensagem digna de ser seriamente considerada.
~ Extraído do livro Sem Tempo a Perder, de Pema Chödrön, baseado na obra O Caminho do Bodhisattva, de Shantideva
















