Resh: o Portal da Renovação

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Ele fez a letra Resh reinar sobre a Paz
E Ele ligou a ela uma coroa
E Ele combinou uma com outra
E com elas Ele formou
Mercúrio no Universo
A quarta-feira no Ano
A narina esquerda na Alma,
macho e fêmea.- Sefer Yetzirah, 4:13
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Este post saiu meio que de encomenda: uma amiga perguntou se conhecia alguma coisa de letras hebraicas e pediu que eu escrevesse sobre Resh para ela. {imagem: Oráculo Pomegranate}
Ela nem sabe do Z, mas já que rolou esta pequena produção, compartilho. Isto não significa, no entanto, que teremos uma seqüência sobre o significado das letras hebraicas por aqui – coisa que não invalida a presença de um único post, se for o caso, em função do que Resh tem a ensinar.
De acordo com o Sefer Yetzirah, uma das obras clássicas do misticismo judaico, D’us primeiro criou as letras e, a partir delas, todo o resto. No momento em que Adam surge, por sinal, sua primeira atribuição é dar nome a tudo o que existe, mas o que ele faz, de fato, é reconhecer e confirmar as letras que formam cada objeto, cada ser.
Quando se analisa uma palavra com profundidade, suas letras revelam um número enorme de informações através de associações, permutações e valores numéricos (guematria).
E embora Resh seja considerada uma letra dupla (possui um som forte e outro suave, como a letra Beit, que faz papel fonético de “b” e “v” de acordo com a sinalização gráfica – daguesh), desde a destruição do Templo que não se tem conhecimento de palavras com o Resh duro – na Torá, temos apenas 10 palavras com esta característica – de modo que se considera esta situação um mistério ainda não revelado.

Shalom (“Paz”) em hebraico
As 7 letras duplas revelam 7 qualidades da alma e, na Árvore da Vida, regem os 7 caminhos verticais. O som duro é severo; o suave, benevolente em seu julgamento. Resh fala da Paz (o caminho vertical ascendente) e o seu contrário é a Guerra (o caminho vertical descendente).
O equivalente hebraico para “Paz” é Shalom. Entendemos que “estar em paz” tem uma conotação interna (quietude/serenidade) e externa (ausência de hostilidade de qualquer natureza), mas Shalom vai além e é “deste” Shalom que estamos falando: o Shalom hebraico refere-se a uma condição de integridade com relação à sua verdadeira natureza (eu sou quem verdadeiramente sou, e não em penso ser ou o que esperam que eu seja) e a quitação de qualquer dívida de ordem material ou espiritual.
Do ponto-de-vista oriental, esta quitação de dívidas equivale a estar liberado da roda do samsara e a criação de novos karmas, o que, obviamente, não ocorre por milagre, mas através de disciplina e desenvolvimento da consciência.
Talvez por isso Resh, associado à Shalom-Paz, seja correlata à rosh , que indica “cabeça” tanto do ponto-de-vista anatômico e da consciência, como em relação ao começo das coisas, a exemplo das expressões rosh chodesh (“cabeça/início do mês”) e rosh ha’shanah (“cabeça/início do ano”).
Esta característica de Resh, seqüencialmente tão próxima do fim do alfabeto (é a 20a de 22 letras), traz como mensagem que nunca é tarde para começar de novo. Rabi Nachman de Breslav (1772-1810) já dizia em sua época que o homem foi criado para viver no eterno aqui-agora e que ele precisa reconhecer que a vida (re)começa a cada instante, não importando o quanto se tenha errado até então para se criar uma nova história de vida.
Este ensinamento é especialmente importante porque Resh está associado à duas outras palavras de conotação negativa: miséria e perverso.
A miséria é o ponto extremo da pobreza. A tradição judaica ensina que o homem deve sempre se sentir pobre, no sentido de ser humilde e reconhecer que está faltando algo. A miséria, contudo, é a incapacidade de se sentir pleno, por mais que se tenha de tudo – uma “síndrome do baú sem fundo”.
Alguns meditam na letra Resh para descobrir o que há, de fato, por trás de suas insatisfações.
O perverso (ou iníquo), por sua vez, é uma das 3 inclinações da alma, sendo que o rashá é aquele que se deixa dominar pela má inclinação – o desejo imediato de satisfação e a visão egóica do mundo, entre outras coisas.
A cura destas condições energéticas (“cura”, em hebraico, é refuá – outra palavra que se inicia com Resh) está justamente no despertar da consciência que podemos, a qualquer momento, romper com os pactos que nos debilitam e as crenças que em nada contribuem para o nosso desenvolvimento, pois, do ponto-de-vista espiritual, não existe esta coisa de que “pau que nasce torno nunca se endireita”.
Na Árvore da Vida, a letra Resh rege o caminho entre as sefirót Yessod e Tiferet.
Yessod é a sede de nossos pactos e também fala de nossos condicionamentos. Sendo a única sefirá em contato com Malchut (o Mundo Físico – o ponto mais baixo da Árvore da Vida), é um ponto de extrema vulnerabilidade, pois, uma vez corrompido, a Luz Espiritual deixa de cumprir o seu propósito: manifestar-se na matéria.
Tiferet, por sua vez, é o coração da Árvore da Vida e regula com sabedoria os fluxos de expansão e contração do universo, assim como os desejos de compartilhar e guardar para si – as sefirót Chessed e Gevurá. Em Tiferet encontramos rachamim (“compaixão” – mais uma palavra iniciada com Resh) que traz consigo a visão da eqüidade: todos merecem ser libertados do sofrimento, sem exceção.
Quando a consciência se desloca de Yessod para Tiferet, nos tornamos responsáveis pelas nossas escolhas e saímos do papel de “vítima das circunstâncias”e interagimos com o universo de outra forma, colocando a nossa atenção, por exemplo, no que é perene ao invés do que é transitório. Uma das dicas para esta conclusão está no fato do valor numérico de Resh (200) ser o mesmo que etzem, que significa tanto “osso” como “essencial”.
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O Oráculo Pomegranate é criação minha. Um baralho com as 22 letras hebraicas com suas atribuições-chaves e regência na Árvore da Vida.
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http://www.incompletudes.wordpress.com/ K. (Incompletudes)
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http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno
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Elizwal33








