Zephyrus Tarot

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Blog Action Day: Pobreza

Old Englisgh Tarot

A proposta do Blog Action Day é reunir blogs ao redor do mundo discutindo o mesmo tema sob diferentes prismas. {imagem: Old English Tarot}

O desafio de 2008 e escrever sobre a pobreza e, obviamente, vou tentar fazê-lo dentro da área de experiência do Zephyrus, o que poderia ser relativamente fácil quando há tanto material sobre a Lei da Atração e suas derivações, mas não é, já que considero tudo isso uma grande bobagem que enriquece tão somente escritores e coachers que fizeram disso um bom empreendimento na hora certa.

No Tarot, a carta emblemática da pobreza é o Cinco de Ouros. Os intérpretes geralmente falam de ruína, doença, miséria, esterelidade e fracasso e eu não descarto estas possibilidades, mas sempre observo outras questões que considero igualmente importantes.

A primeira delas está muito relacionado com o valor que damos a nós mesmos. Não são poucos os casos em que, de forma consciente ou não, julgamos não ser capazes de lidar com algumas coisas, como um novo emprego ou nova função que irá exigir mais de nós, ou merecedores de algumas bênçãos – a síndrome do “é muita areia para o meu caminhãozinho”. Quando isto ocorre, fatalmente deixamos entreaberta a porta para o fracasso.

Outra coisa é quando procuramos fora o tesouro que está dentro. A supervalorização das aparências, por exemplo, em detrimento da estrutura que a suporta é um caminho clássico em direção a duras lições na vida, cuidado.

Ensina o Pirkei Avót (a “Ética dos Pais”) judaico: “Quem é o homem rico? Aquele que é feliz com sua porção” (4:1).

Uma terceira lição do 5 de Ouros tem a ver com esta capacidade de “ser feliz com a sua porção”. O que é isso? Começa com a gratidão pelo que se conquistou, segue com a percepção que o copo está “meio cheio” e nunca “meio vazio”, e se fortalece quando  quando você valoriza o que VOCÊ tem, e não o que o OUTRO tem – caímos nesta armadilha constantemente e o mundo gira em torno disso incentivado, inclusive, pela publicidade. {imagem: Morgan Greer Tarot}

Um bom exemplo de parte do que escrevi foi quando reclamei uma vez do dinheiro não estar dando para pagar todas as contas e uma conhecida sugeriu que eu pensasse em tudo o que consegui pagar até aquele momento – o que não era pouca coisa. Quando você coloca a atenção no que te preenche (o que se tem, o que consegur realizar, etc) ao invés de perder um tempo precioso com o que te faz falta, a energia muda completamente – e isto não tem nada a ver com falta de ambição!

Outra coisa importante para ter em mente são os ensinamentos do livro As Marcas da Alma, de Marc Gafni (já o citei aqui de outras vezes, acho). Entre muitas coisas que eu valido está a afirmação que a realização – inclusive material – acontece quando você encontra a sua vocação, sendo que esta vocação “não é o que você faz para viver, mas a sua própria vida”.

Chegar a uma condição limite de adversidade é claramente um alerta com relações às opções feitas na vida, mas não apenas no sentido do mal investimento financeiro, mas no não-reconhecimento da sua riqueza interna (seus talentos/vocações) porque estávamos muito ocupados em ser o que esperam de nós ou ser o que o outro é e parece muito mais glamuroso.

O medo pode ser um inimigo poderoso nestas situações porque não queremos correr riscos e muito menos abrir mão de algumas coisas que supomos ser importantes, mas quando tudo escapa pelos dedos, não nos resta outra opção a não ser seguir o chamado da alma, se é que desejamos alcançar uma condição de plenitude.

Haindl Tarot

Hermann Haindl, por sua vez, associou os Menores a hexagramas do I Ching e atribuiu Po, Hexagrama 23, ao 5 de Ouros. Sua idéia, ao que tudo indica, era caracterizar a situação como temporária com a presença de um linha inteira (yang – positiva) ao final de 5 linhas partidas (yin – negativas) – algo como “existe uma luz no fim do túnel”. {imagem: Haindl Tarot}

Na literatura do I Ching, no entanto, o verbo Po pode ser traduzido como pelar, descascar, tirar a pele, raspar, podar, etc e se refere à remoção de tudo o que se tornou inutilizável, que não faz mais sentido e não contribui mais para o nosso crescimento. Repito o “mais” apenas para frisar que seja lá o que for, pode ter sido útil em determinado tempo, mas deixou de ser – desapegue-se.

“Remova o que não é essencial sem pensar no ganho imediato”, alerta Stephen Karcher, em I Ching Total. “Este é o fim de um ciclo e preparação para um novo. Esteja aberto para novas idéias”, continua.

Do ponto-de-vista da energia, é importante avaliar a circulação adequada do prana por tudo o sistema e, em especial, o chakra base, que fala da produtividade, entre outras coisas, e o chakra dos pés, que faz a nossa conexão com a terra. Tratamentos de realinhamento energético não resolverão o problema do dia para a noite, mas podem ser extremamente benéficos para dar o suporte necessário para o movimento que precisa ser feito.

Acredito que quase todos os outros blogs do Blog Action Day se ocupem de análises polêmicas e propostas revolucionárias, ok. Com ou sem cartas do Tarot – elas servem apenas de desculpa para que eu fale/escreva sobre coisas que considero relevantes – o importante é a reflexão no que nos torna verdadeiranente pobres (o que muitas vezes nada tem a ver com o saldo bancário) e o que pode ser feito para se reverter isso.

Possam todos se beneficiar.
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