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Transformando a Felicidade e a Adversidade em Caminho Espiritual – Parte 2

Continuo com os ensinamentos de Jigme Tenpe Nyima extraídos do site Tara Dhatu.

Na origem, o texto é um só, no formato Word, para download. Estou dividindo aqui por dois motivos: o primeiro é estético, confesso, mas o segundo é didático. É necessário ir assimilando aos poucos para que a experiência não fique apenas no campo intelectual.

Esta parte vai falar da tomada de refúgio, que é uma prática budista. Não se deixe intimidar por isso. Tome refúgio na egrégora que lhe fala o coração. Coloco algumas observações no rodapé do post.

Desenvolva o sentido do Otimismo diante da Adversidade

A Adversidade é um auxiliar no caminho espiritual. É uma oportunidade para treinar a mente e desenvolver impressões positivas ou virtudes na mesma. Ela ajuda a ilustrar que a natureza da existência condicionada é o sofrimento e a infalível verdade da lei da Causa e Efeito.

Deve-se aprender métodos e práticas para aplicar a cada circunstância. Por exemplo: a fim de praticar as seis perfeições [1], deve-se considerar como cada perfeição é desenvolvida na dependência de um objeto, circunstância e aplicação da consciência. Nós devemos nos treinar. Nós somos praticantes do Caminho e como Guerreiros Espirituais estamos nos preparando para o momento de nossa morte.

A Adversidade apóia a Renúncia

Reconheça que quando nós divagamos sem qualquer controle, a adversidade não é uma injustiça, mas sim a representação da própria natureza cíclica da Existência.
Desenvolva um sentido de desilusão, observando que a Existência cíclica é um oceano infinito de problemas e direcione sua atenção para a liberação.

A Adversidade apóia o Refúgio

Os problemas levam-nos a procurar um guia competente, alguém que perceba as condições de nossa existência e que tenha passado por ela de forma bem sucedida e tenha atingido a verdadeira liberdade.

  • O Refúgio externo são as Três Jóias. [2]
  • O Refúgio interno é o Lama (o guia espiritual).
  • O Yidam é Tara.
  • A Dakini é o princípio da Consciência Iluminada.

Em última instância, toma-se o Refúgio diretamente da mente: a essência, a natureza e a fluente qualidade da Compaixão.

A Adversidade dissipa a Arrogância

A arrogância, a presunção, é uma aflição mental muito potente capaz de destruir todos os esforços de alguém na direção da liberação.

Quando a adversidade aparece, observe o quanto lhe falta de controle próprio. Este humilde pensamento é muito útil. As atitudes de arrogância podem afastar alguém do aprendizado. Isto é diferente do “Orgulho da Deidade”.

Quando você pratica Vajrayana, você gera a auto-natureza como Deidade [3]. Você se torna consciente de sua Natureza de Sabedoria primordial e de sua incorporação como Tara. Esta expressão aparece a fim de domar a sua mente e a mente dos seres. No estado de pura consciência, você desperta a semente que leva à Liberação.

A Adversidade purifica ações não integrais

Lembre-se que os problemas aparecem somente como o resultado de ações não-integrais. Os acúmulos negativos são causados pelas tentativas fúteis de trazer benefícios a este ego mimado às custas dos outros.  Resolva que se você não quer problemas, você deve evitar sua causa.

Trabalhe com os quatro poderes: o arrependimento, a resolução, a fé e o remédio [4].

(continua)

~ Extraído de um texto escrito por Jigme Tenpe Nyima, o terceiro Dodrupchen Rinpoche com comentário do venerável Gyatrul Rinpoche publicado no livro Sabedoria Antiga.

[1] Generosidade, disciplina, ética, paciência, perseverança, meditação e sabedoria.
[2] As Três Jóias referem-se ao Buddha, ao Dharma e à Sangha. Você encontra aqui um bom texto sobre isso.
[3] Nas práticas budistas, quando se tem a iniciação a uma determinada deidade, você termina sua meditação transformando-se nela, de modo a assimilar plenamente seus atributos.
[4]  Publiquei um texto sobre os Quatro Poderes de Purificação aqui.
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