Feliz Ano Novo… Judaico!

Yehi Ratzon Milefanecha Ado-Nai Elo-Henu
Velo-He Abotenu Shetechadesh
Alenu Shana Toba Umtuca (Cadevash).

Que seja de Tua vontade, Senhor nosso D’us,
D’us de nossos pais, concedernos
um ano bom e doce (como o mel).

Hoje à noite entraremos no ano 5769 da Criação, de acordo com a contagem judaica. Para quem não sabe, o calendário para os judeus vira ao anoitecer, de modo que o novo ano tem início às 17h33 por aqui.

Diferentes dos goyim, que atravessam de 31 de dezembro para 1 de janeiro fazendo muito barulho com festas, fogos de artifício, shows, bebedeira, flores no mar e promessas que jamais serão cumpridas, o Rosh ha’Shaná é celebrado com alegria e gratidão por mais um ano, mas também com introspecção, pois toda a humanidade passa por um julgamento de escala cósmica, ainda que muitos ignorem isso.

Comentei rapidamente no outro dia que o mês (judaico) que passou foi dedicado à reflexão (e reparo) dos erros que cometemos com relação ao outro. Este exercício se intensifica nos próximos 10 dias com um enfoque um pouco diferente e culmina com o Yom Kippur – o “Dia do Perdão”.

Se não tivéssemos tantas relações desgastadas não teríamos pelo que expiar (o real signigicado de kippur), mas elas existem e, em última instância, não é errado afirmar que o número de faltas nesta área é inversamente proporcional ao tamanho de nossa compaixão.

A gente pensa que a compaixão deve aparecer quando nos deparamos com uma pessoa que passa por problemas, mas a compaixão reside, antes de qualquer outra coisa, em não desejar/provocar sofrimento.

Nesta hora sempre pula alguém que diz que não “age mal”, mas “revida à altura”, mas fora o fato de que isso está longe de ser 100% verdadeiro, é preciso acabar com esta história de que “quem com ferro fere, com ferro será ferido” como se esta fosse uma atribuição sua.

Não, o compassivo não é “bonzinho”, mas alguém consciente de que possui feridas e que às vezes reage a partir delas do mesmo modo que outras pessoas o fazem. Se sentir afrontado é sempre uma boa oportunidade de entrar em contato com os seus aspectos mal-resolvidos, mas a gente, de modo geral, foge deles.

Ouvia neste fim de semana uma pessoa contando que ficou triste por dois dias porque foi ignorada por uma vizinha – cada um com o seu calcanhar. Fiquei esperando que ela concluísse seu comentário dizendo que teve alguma experiência bacana a partir disso – o que teria a ver com o teor da conversa que estava rolando – mas o que lhe trouxe alívio no segundo dia foi a oportunidade que teve de “ignorar” a vizinha. Obviamente muitas outras “vizinhas” irão ignorá-la ao longo desta vida até que ela entenda de onde vem esta rejeição e a purifique adequadamente.

Este exemplo serve para tudo mais. O mês que começa, Tishrei, reforça a idéia de que não existem eventos isolados. Que o nosso processo de cura promova a cura de muitos outros e todos os seres se beneficiem com isso.
.

Le Shana Tova. Le Ktiva ve Chatimá Tova.
“Por um ano bom. Pela inscrição e confirmação ao bom”

Blog Widget by LinkWithin