Liberdades Simbólicas: 2 de Espadas

Escrevi na parte I que esta seqüência é baseada em um tópico aberto no Orkut. A conversa começou em torno do 5 de Copas e terminou com o 2 de Espadas. Como a própria natureza da discussão tomou outro rumo (e para não fazer um texto enorme), achei melhor abordar as duas questões em posts separados. {imagem: Llewellyn Tarot}
Tarot, Guerra e Paz
A imagem do Rider-Waite que se perpetua em muitas outras ilustrações do 2 de Espadas é de uma mulher vendada segurando duas espadas que se cruzam à sua frente – não vou entrar em considerações a respeito dos símbolos desta imagem.
Para Waite a carta indica harmonia, equilíbrio e concórdia, lembrando que, apesar disso, “Espadas em geral não simbolizam forças benéficas nos assuntos humanos”. Outros autores seguem basicamente a mesma linha, falam de acordos temporários e adotam a máxima “quando um não quer, dois não brigam”.
O Thoth Tarot dá à carta o nome de “Senhor da Paz”, além da associação astrológica da Lua em Libra. Gerd Ziegler, em Tarot – Espelho da Alma, conclui que há “disposição para o amor e a realização ao invés da luta”, o que tem muito a ver a inclinação desta Lua libriana para o refinamento, a diplomacia e a cooperação.
Esta é a opinião de um grupo. Outro, por sua vez, defende que 2 é um número de polarização, logo, espadas colocadas em campos opostos indicam o confronto real ou iminente de idéias.
A idéia aqui não é dizer que um está certo e o outro errado – até porque sou repetitivo com a história que cada um segue a escola que lhe parece mais conveniente – mas a contradição a respeito do 2 de Espadas é especialmente curiosa em função de algo que percebo e lanço aqui como ponderação.
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Temos aqui o aspecto aéreo de Chokmah, o Pai de Tudo, a forma mais abstrata da força.
Para alguns, o chakra mundano de Chokmah é Urano e, para outros, Mazloth, o Zodíaco, sendo sua experiência espiritual a Visão da Totalidade. A ação de Chokmah no mundo do intelecto faz com que a mente deixe a calma do Ás e entre em movimento. A vibração do Dois polariza a mente, introduz o ritmo, as idéias opostas, o positivo e o negativo, o correto e o errado. Aqui aparecem a ambivalência, a dúvida e a confusão.
— Veet Pramad, no livro Curso de Tarot e seu Uso Terapêutico
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Tirei esta citação do tópico no Orkut em pauta. Sabe-se que tanto Waite como Crowley foram fortemente influenciados em seus trabalhos pelo Livro T, um conjunto de textos da ordem hermética Golden Dawn que sugere que a Árvore da Vida cabalista é a chave para acessar os significados mais profundos do Tarot.
Já escrevi sobre isso antes e continuo afirmando que algumas conclusões são equivocadas porque não se tem real conhecimento de importantes conceitos judaicos – e isto não significa que sou o rei no assunto, veja bem. Devemos levar em consideração também que as fontes confiáveis são mais abundantes agora do que no passado.
Muitos rabinos, hoje, ensinam o que é Cabalá para que inúmeros judeus não pratiquem o que se vende como a “verdadeira” Cabalá, mas não é. No momento em que se tornou muito fácil acessar qualquer tipo de informação, o conhecimento até então restrito teve que sair das sinagogas.

Chochmah (“Sabedoria”), por exemplo, é uma dimensão além do espaço, tempo e movimento que guarda o estado potencial de todas as coisas – o Zohar “brinca” com as letras e transforma Chochmah em ko’ach (“potential”) e mah ( “o que é”). Em outras palavras, não se pode falar de polaridade aqui porque não existe ainda qualquer diferenciação da energia primordial. {imagem: Norse Tarot}
As pessoas olham para Chochmah na Árvore da Vida e pensam em 2 (1 é Kether), mas Chochmah não é 2, é Beit. Beit é a segunda letra do alfabeto hebraico. Para os israelitas, as letras possuem uma atribuição fonética e outra numérica, sendo que cada letra traz consigo uma série de ensinamentos espirituais.
Sim, Beit é o número dois, mas é com a segunda letra do alfabeto que a Torá tem início e isso faz toda a diferença.
Bereshit bara Elohim et hashamayim ve’et ha’arets
(“No Princípio criou D’us os céus e a terra”).
É tão forte a idéia que Chochmah representa o início da Criação que há quem traduza a frase como “Com Chochmah criou D’us os céus e a terra” e isso é amplamente aceito entre os estudiosos.
Seqüências ascendentes e descendentes
Encontramos de tudo um pouco quando decidimos estudar os Arcanos Menores do Tarot. Há quem olhe, por exemplo, cada lâmina como um elemento independente/ isolado (forte influência da cartomancia) e há quem estabeleça uma ligação entre as cartas de acordo com a sua numeração.

Mas isso não é tudo: os que adotam uma evolução lógica das cartas têm a opção de começar a jornada do Ás ou do 10. {imagem: Thoth Tarot}
Para adotar uma terminologia técnica, temos um caminho diabático, que vai de Ás a Dez e descreve o processo da Criação tal qual a energia se manifesta na Árvore da Vida, de Kether a Malchut. E temos um caminho anabático, que vai do Dez ao Ás, que descreve o processo de evolução do homem do caos à Unidade.
A Golden Dawn, como tantos outros grupos, é uma escola iniciática, logo, Kether (1) não é o ponto de partida, mas onde se deseja chegar.
Neste sentido, fica muito fácil entender o papel do 2: o sujeito estendido na praia com 10 espadas cravadas nas costas está completamente imerso na separatividade, enquanto a mão que sai das nuvens segurando uma única espada representa a Mente Unificada.
Os que analisam a seqüência diabática entendem que o 2 dá os primeiros sinais de um desafio que precisamos enfrentar, mas, para os anabáticos, a paz é um estado de antecede a comunhão plena com “as Raízes dos Poderes do Ar”, sendo esta condição precária porque a mente ordinária sempre pode nos trair e nos derrubar às portas do nirvana.
Mutatis mutandis, a pessoa não se ilumina com um Ás de Espadas, mas, neste caso, atinge o correto entendimento da questão em pauta, dispersando as nuvens do obscurecimento mental, daí a espada passar por dentro de uma coroa, inclusive, tanto no Rider-Waite como no Thoth.

E por que acho tudo isso interessante? Porque devemos sempre respeitar a pergunta que está sendo feita. Quero dizer com isso que o valor da carta muda de acordo com a questão e, apoiado pela posição dele no jogo, cartas complementares e informações do consulente, um 2 de Espadas pode aconselhar que se vista a armadura ou que se coloque as armas de lado.
Não devemos ser flexíveis com o Tarot ao ponto de descaracterizá-lo, mas não cabe em momento algum a rigidez que limita a sua abrangência. Isto é especialmente relevante quando temos cartas de Espadas, pois atrás de todo problema existe a necessidade de entendermos em que momento atraímos esta história para as nossas vidas.
Se por um lado os aspectos da dor se desenvolvem em direção à Malchut, a mente deve se elevar a Kether. É fato, inclusive, que se a mente alcança primeiro o seu objetivo, muito provavelmente o fluxo descendente irá se desfazer no meio do caminho, evitando o nosso envolvimento com os níveis mais densos do sofrimento.
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http://www.zephyrus.blog.br Marcelo Bueno
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http://www.jjcabeleireiros.com.br/blog.html Alexandre Brendim
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arcanofloral
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http://www.taroturbano.blogspot.com/ Adash
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