Teshuvá – o caminho de volta para casa

Estava com o conceito de “volta para casa” na minha cabeça há alguns dias mas não lembrava de onde tinha saído. Achei que pudesse ser de um dos livros da Leslie Temple-Thurson, mas não estava muito convicto e também não procurei saber. Arquivei o assunto.
Ontem, peguei O Caminho da Autotransformação para ver outra coisa e abri exatamente na página que fala sobre o “voltar para casa”. Parei. Nestas horas penso que existe algo sobre o qual devo refletir ou, por causa do blog, pretensiosamente acredito que talvez a mensagem possa servir para alguém que esteja de passagem por aqui, quem sabe…
Os livros que têm a austríaca Eva Pierrakos (1915-1979) como autora ou co-autora, são canalizações de um ser espiritual que preferiu ser identificado apenas como “O Guia”. Adotou esta opção para que ninguém criasse algum tipo de folclore a respeito dele e desse mais atenção à isso do que aos ensinamentos que transmitia.
Entre 1955 e 1979, o Guia ministrou 258 palestras através de Eva. O trabalho, batizado de Pathwork, é um caminho que mescla psicologia e espiritualidade com o objetivo de revelar em cada um a natureza do “Eu autêntico”. Os livros reagrupam as transcrições destas palestras (apresentação, perguntas e respostas) com temas em comum e dão muito que pensar.
Devo andar com a “volta para casa” na cabeça porque estamos a menos de um mês do ano novo judaico e algo que se fala bastante neste período é sobre o exercício da teshuvá. Teshuvá é uma expressão geralmente traduzida como “arrependimento”, mas significa “retorno” ao pé da letra. As pessoas fazem teshuvá porque desejam começar o ano sem o peso dos seus erros, por isso refletem sobre suas iniqüidades, se desculpam com quem de direito e tal – é um pouco mais complexo que isso, mas não vou me estender.
Muitos dirão que teshuvá é o retorno para D’us, mas sempre penso em teshuvá como um retorno para si mesmo. Iludidos pela ignorância, apego e aversão, seguimos por caminhos que nos afastam de nossa verdadeira natureza. Falamos de uma coisa mas fazemos outra, buscamos a aprovação dos que são importantes para nós ou agimos diferente apenas para ferí-los, e por aí vai… No outro dia uma pessoa escreveu um post com o título “minha vida sem mim” e eu pensei muito a respeito, até porque este é um sentimento comum a muitas pessoas – aquela sensação de vazio quando nada parece fazer sentido.
Quando entendemos o que nos faz agir desta maneira ou daquela, conseguimos reunir o que nos pertence de fato, deixando de lado toda a bagagem que trazemos não sabemos nem bem o porquê.
Talvez por isso o texto estivesse me procurando: o meu objetivo é claramente voltar para casa, mas nem sempre estou trabalhando nisso. O que eu fiz hoje para voltar para casa? E quantas vezes permiti que me perdesse de novo? Se perder é tão fácil… O caminho de volta se faz com um pé na frente do outro. Não há mágica. A gente não volta só porque quer, mas porque se esforça continuamente para que isso aconteça.
E você, o quão distante está de casa? E o que tem feito em prol da sua teshuvá?
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A grande liberdade de voltar para casa, meus amigos, é encontrar o caminho de retorno para o eu verdadeiro.
A expressão “volta para casa” tem sido usada muitas vezes na literatura espiritual e nos ensinamentos, mas frequentemente foi muito mal compreendida. Muitas vezes é interpretada como significando o retorno ao mundo do espírito depois da morte física. “A volta para casa”, porém, significa muito mais do que isso. Você pode padecer muitas mortes, ter uma vida terrena após outra, mas se não tiver encontrado seu verdadeiro eu, não poderá retornar para casa. Você pode estar perdido e continuar perdido até encontrar o caminho para o centro de seu ser.
Por outro lado, pode encontrar o caminho para casa exatamente aqui e agora enquanto ainda permanece no corpo. Quando reunir coragem para tornar-se o seu verdadeiro eu, você descobrirá que ele é muito superior ao eu idealizado, embora inicialmente lhe possa parecer o contrário. Então você sentirá a paz de estar em casa dentro de si mesmo. Então você encontrará segurança. Então você operará como um ser humano completo. Então você terá quebrado a chibata de aço de um capataz a quem é impossível obedecer. Então você saberá o que paz e segurança realmente significam. Você cessará de uma vez por todas de procurá-las através de meios falsos.
Possam vocês todos encontrar a verdade, o amparo e a iluminação através das palavras que lhes dirigi esta noite. Entretanto, devem compreender que um entendimento teórico de nada lhes servirá. Essas palavras não os ajudarão enquanto permanecerem teoria. Quando começarem ou continuarem a trabalhar nesta direção e se permitirem sentir e observar suas reações emocionais relacionadas a seu eu idealizado, então progredirão substancialmente em sua própria libertação e autodescoberta no sentido mais verdadeiro da palavra.
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Anna Ladeira, que foi minha orientadora durante um tempo que fiz Pathwork, vai dar uma palestra aqui no Rio dia 17. Estas palestras gratuitas sempre marcam a formação de um novo grupo de trabalho, embora atendimentos individuais estejam disponíveis.
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Pathwork, o Caminho da Autotransformação
Data: 17 de setembro, quarta-feira, às 19:00h
Palestrante: Anna Ladeira, artista plástica, terapeuta ocupacional, focalizadora de Danças Universais da Paz, Danças sagradas, terapeuta de Core Energetics e helper do Pathwork.
Local: Espaço Iralem, no Humaitá
Informações: (21) 2246-2714
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* Para quem ficou curioso, o Rosh ha’Shaná terá início na noite do dia 29 de setembro.
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