Vesak: agora vai!

Há algumas semanas escrevi aqui sobre a celebração de Vesak - ou Saka Dawa Düchen, para os tibetanos – que alguns estariam agendando para 20 de abril ao invés de 19 maio (noite da próxima segunda-feira).

Sou meio crítico com relação a algumas coisas. Muita gente considera “in” dizer que é budista, andar com um mala (rosário com 108 contas) no pescoço ou no pulso como adereço e sair dizendo “namastê” para todo mundo que encontra pela frente como se estas coisas mostrassem certo grau de refinamento espiritual. Lembro de um grupo do qual fiz parte e olhava para as meninas pensando “Barbie vai à Índia” – eu sei, eu sou horrível…

O Vesak mesmo é uma data que reúne muitas pessoas em diferentes locais porque é considerado auspicioso e, por “auspicioso”, os grupos se reúnem pensando que a vida vai mudar num passe de mágica através de cantos e oferendas.

Já publiquei algo sobre as Fases da Lua em outro post, aproveitando um texto da Márcia Mattos, sendo que e o fato da Lua Cheia culminar “a semente e o potencial inaugurado na Lua Nova” vai além dos empreendimentos pessoais. Neste sentido, gosto muito da leitura dos judeus com relação à Roda do Ano, onde cada intervalo entre uma Lua Nova e outra (o mês judaico) traz uma proposta de crescimento que se desenvolve em espiral – a cada ano você passa pelas mesmas coisas em um outro nível de entendimento – e, na Lua Cheia, o perfeito alinhamento entre as dimensões espirituais permite pleno acesso à energia que se encontra à disposição no período.

No momento em que este post é escrito, estamos na noite do dia 13 de Iyar, sendo Iyar um mês inteiramente dedicado ao refinamento pessoal. Já estava escrevendo toneladas de coisas sobre Pessach, Shavuot e a Contagem do Ômer, mas deixo isso para outra ocasião para não embolar as coisas – “dai a Buddha o que é de Buddha”… ;)

Osho tem um texto interessante sobre felicidade em que diz que a Iluminação se dá quando você desiste de ser infeliz. Parte deste discurso, extraído do livro Alegria – A Felicidade Vem de Dentro, transcrevo a seguir. Os negritos são por minha conta.

***

As pessoas seguem em frente criando grandes problemas a partir do nada. Conversei com milhares de pessoas sobre seus problemas e ainda não me deparei com um problema real! Todos os problemas são falsos, você os cria, pois sem problemas se sente vazio, sem problemas não há nada a fazer, nada com o que brigar, nenhum lugar para ir. As pessoas vão de um guru a outro, de um mestre a outro, de um psicoterapeuta a outro, de um grupo terapêutico a outro, pois, se não forem, se sentirão vazias e de repente sentirão a vida como se ela não tivesse sentido. Você cria problemas para que possa sentir que a vida é um grande trabalho, um crescimento, e você precisa batalhar arduamente.

Lembre-se: o ego pode existir apenas quando ele batalha, quando ele luta. E, quanto maior o problema, quanto maior o desafio, mais o seu ego se ergue, se eleva.

Você cria problemas; os problemas não existem. E agora, se você me permitir, nem copos d’água existem. Isso também é um truque seu. Você diz: “Tudo bem, não há tempestades, mas há copos d’água” . Não, nem mesmo copos d’água existem, eles são criação sua. Primeiro você cria copos d’água a partir do nada, e depois cria tempestades a partir deles.

E os sacerdotes, os psicoterapeutas e os gurus ficam satisfeitos, pois todo o negócio deles existe por sua causa. Se você não criar copos d’água a partir do nada e, depois, se não transformar seus copos d’água em tempestades, qual será o sentido dos gurus o ajudarem? Primeiro você precisa estar na condição de precisar de ajuda.

Por favor, observe o que você está fazendo, que tolice você está fazendo. Primeiro você cria um problema, depois vai em busca de uma solução. Apenas observe por que você está criando o problema. Exatamente no começo, quando você está criando o problema, está a solução; não o crie! Mas isso não terá apelo para você, porque então você de repente é atirado contra si mesmo. Nada a fazer? Nenhuma iluminação, nenhum satori, nenhum samádi? E você está profundamente inquieto, vazio, tentando se preencher com qualquer coisa.

Você não tem nenhum problema, e somente isso precisa ser entendido.

Neste exato momento você pode abandonar todos os problemas, pois eles são criações suas.

Assim, dê uma outra olhada para seus problemas. Quanto mais fundo você olhar, menores eles parecerão ser. Continue a olhá-los, e, aos poucos, eles começarão a desaparecer. Continue a fitá-los e, de repente, você descobrirá que existe o vazio; um belo vazio o envolve. Nada a fazer, nada a ser, porque você já é o que tinha de ser.

A iluminação não é algo a ser alcançado; ela é apenas para ser vivida. Quando digo que atingi a iluminação, simplesmente quero dizer que decidi vivê-la. Basta! E desde então eu a vivi. Trata-se de uma decisão de que agora você não está interessado em criar problemas, e isso é tudo. Trata-se de uma decisão de que agora você acabou com toda essa tolice de criar problemas e de encontrar soluções.

Toda essa tolice é um jogo que você está jogando contra si mesmo. Você mesmo está se escondendo e procurando, é os dois parceiros do jogo, e você sabe disso! E por esse motivo que quando digo isso você sorri, dá risada. Não estou falando algo ridículo; você entende isso e ri de si mesmo. Observe-se rindo, observe seu próprio riso; você entende o que estou dizendo. Precisa ser assim, pois se trata de seu próprio jogo: você está se escondendo e tentando se encontrar.

Você pode se encontrar neste exato momento, pois é você mesmo que está se escondendo.

É por isso que os mestres do Zen batem nas pessoas. Sempre que alguém vem e diz: “Gostaria de ser um buda”, o mestre fica com muita raiva. A pessoa está pedindo uma tolice, ela é um buda. Se Buda vier a mim e me perguntar como ser um buda, o que se espera que eu faça? Eu baterei em sua cabeça! “A quem você pensa que está enganando? Você é um buda”.

Você é um grande criador de problemas… apenas entenda isso, e, subitamente, os problemas desaparecem. Você está perfeitamente em forma, você nasceu perfeito. Esta é toda a mensagem: você nasceu perfeito, a perfeição é a sua natureza mais profunda. Você precisa apenas vivê-la; decida e viva-a.


TEYATA OM MUNI MUNI MAHA MUNI SHAKYAMUNI YE SOHA

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