Zephyrus Tarot

zephyrus.blog.br

Os 4 Elementos – Fogo

O aspecto positivo do fogo é a faculdade de criar, de iniciar projetos em todos os níveis e de realizar o que a criatividade põe em movimento. A intuição está relacionada ao fogo, assim como o entusiasmo e a excitação. O fogo em equilíbrio resulta em empreendimentos inspirados, felicidade no trabalho e realização.

O fogo está relacionado a uma felicidade que é diferente da alegria do elemento água, ligada ao contentamento e à aceitação. A alegria do fogo está mais relacionada a entusiasmo e êxtase no corpo, e à alegria de experiências estimulantes. A experiência mais elevada do fogo é a felicidade de ser. A sua mais elevada expressão é o desenvolvimento da sabedoria do discernimento.

As pessoas com excesso de fogo ficam agitadas com facilidade. Pequenas coisas acendem sua irritabilidade e elas podem reagir impulsivamente, explodindo sem pensar, em palavras e gestos furiosos. Intolerantes, podem ficar aborrecidas com religiões diferentes, raças diferentes e filosofias diferentes. Podem até se aborrecer com o jeito de alguém sentar-se ou falar.

Como o fogo é o oposto da terra, seu excesso muitas vezes resulta em falta de firmeza. Há um excesso de movimento e instabilidade. Quando há também falta de água, pode haver mal-estar e inquietação constantes. É difícil ficar quieto por cinco minutos: há sempre algo a ser feito. O silêncio e a calma são tediosos. Dormir é difícil. As pessoas com excesso de fogo gostam de falar muito, e depressa. A idéia seguinte surge antes que a primeira seja articulada. As coisas não param de acontecer.

Na prática da meditação, o excesso de fogo resulta em pensamentos rápidos e difíceis de controlar. As novas idéias surgem continuamente e parecem importantes demais para serem postas de lado. Há uma falta de calma, uma falta de paz, e um excesso de agitação e inquietação. A agitação pode vir de uma falta relativa de água e a instabilidade pode ser falta de terra.

Sem fogo suficiente no caminho espiritual, o praticante é desprovido da energia e da inspiração necessárias à prática ou tem dificuldade para encontrar nela alegria e êxtase. Em vez disso, a prática é feita mecanicamente, sem a inspiração para dar o salto para um novo conhecimento ou uma nova experiência. Como resultado, o desenvolvimento da prática é muito mais lento.

Quando há deficiência de fogo, há também falta de vitalidade e de inspiração. Não há prazer no trabalho. Não há entusiasmo. Nada de novo acontece. A vida pode ser um ciclo de existência rotineira e arrastada. Ou então, quando o fogo é deficiente e há predominância de ar, pode haver movimento, mas repetitivo e pouco criativo. Intelectualmente, a pessoa pode ser muito perspicaz – devido ao ar – mas incapaz de criar a partir do que aprende.

Entre as práticas que desenvolvem o elemento fogo estão o calor interior (tummo) que se tornou famosa pelos relatos de praticantes sentados na neve, secando toalhas molhadas só com o calor do corpo; a prática do rushen externo, em que nos submetemos à experiência de tendências kármicas a fim de distingui-las da pura experiência: e algumas das yogas físicas.

- Extraído do livro: A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, de Tenzin Wangyal Rinpoche

Outros elementos da mesma série:

  • Pingback: Arcanos Menores: Entendendo os Naipes « Zephyrus.blog.br

  • Tiago

    “Aquilo que foi lambido pelo fogo tem outro sabor na boca do homem. Aquilo que o fogo iluminou conserva uma cor indelével. Aquilo que o fogo acariciou, amou, adorou, adquiriu recordações e perdeu a inocência. [...] Com o fogo tudo se modifica. Quando queremos que tudo se modifique apelamos para o fogo.” (Bachelard, “A psicanálise do fogo”)

  • Tiago

    “Aquilo que foi lambido pelo fogo tem outro sabor na boca do homem. Aquilo que o fogo iluminou conserva uma cor indelével. Aquilo que o fogo acariciou, amou, adorou, adquiriu recordações e perdeu a inocência. [...] Com o fogo tudo se modifica. Quando queremos que tudo se modifique apelamos para o fogo.” (Bachelard, “A psicanálise do fogo”)