Os 4 Elementos – Ar
Posted by Marcelo BuenoMar 1

O ar é o elemento que traz a mudança: quem o tem bem desenvolvido pode transformar negativo em positivo, ódio em amor, ciúme em abertura, ganância em generosidade, orgulho e egoísmo em paz. O ar está relacionado à curiosidade, ao aprendizado e à flexibilidade intelectual. No seu aspecto mais elevado, ele é a sabedoria da meditação.
Quando o ar é dominante, as qualidades da terra e da água costumam ser deficientes. Há pouca estabilidade e satisfação. É difícil se ater a alguma coisa. Se estamos num lugar, outro parece melhor e, quando chegamos a esse outro lugar, queremos estar num terceiro. É difícil aceitar as coisas como elas são, difícil encontrar conforto no que existe. Ficamos irrequietos, incapazes de nos concentrar, preocupados ou inconstantes. A felicidade dá lugar à infelicidade quando algo levemente negativo acontece. A resolução dá lugar à incerteza. A convicção desmorona com facilidade. Como não há gravidade interior, as influências externas nos arrastam de um lado para o outro.
Quando o ar é deficiente, é fácil empacar. Fica difícil mudar as coisas. Quando surge uma preocupação, ela permanece. Quando uma simples inquietação aparece, ela se aloja dentro de nós.
Quando o elemento ar está em equilíbrio, a preocupação e a inquietação dão lugar ao que vem a seguir – uma resolução é encontrada. O ar equilibrado nos permite ser flexíveis. Mesmo quando as coisas saem erradas, conseguimos apreciar outros aspectos da experiência: pode haver más notícias e um céu azul ao mesmo tempo. O ar permite que a mente avance em novas direções, que veja as coisas de perspectivas diferentes, levando ao acúmulo de conhecimento e compreensão. A rapidez com que você consegue transformar a raiva, a depressão, a irritação ou a autocomiseração numa coisa positiva está relacionada ao grau de desenvolvimento do elemento ar em você.
O elemento ar é também o prana, que conduz a mente. É por isso que o tantra e o Dzogchen recomendam movimentos e posturas físicas para controlar o elemento ar a fim de favorecer determinadas experiências. Quando o ar está perturbado, é difícil para a mente se concentrar. É difícil sentar-se para meditar. Há impaciência. As perguntas surgem e há necessidade de enunciá-las. Quando há excesso de ar, é difícil ter experiências da base vazia de todas as coisas, o kunzhi, porque a mente e a energia estão correndo de um lado para o outro, atraídas pela claridade e pela manifestação.
O ar liga tudo. Ele está relacionado a todos os tipos de comunicação. Como o prana, o ar elementar permeia tudo, em todos os lugares: ele é a energia essencial da existência.
Nas práticas tibetanas realizadas na hora da morte, o lama evoca o espírito morto por meio do elemento ar, pela inspiração. Quando o espírito é contactado, o lama o ajuda a resolver o que ficou sem solução no momento da morte.
Alguns dos tantras falam de ar a respeito de poderes mágicos. A magia sempre tem a ver com a transformação e sem a energia elementar do ar não existe transformação. Tradicionalmente, acredita-se que a falta do ar inibe a capacidade de praticar a magia e torna difícil direcionar o renascimento.
Quando o ar é deficiente, o progresso nas práticas espirituais costuma ser pequeno e há uma incapacidade de transformar em prática o que surge.
As práticas que desenvolvem o elemento ar são as tsa lung, que trabalham com os canais e o prana no corpo. Entre elas estão a yoga física ou trul khor, a pho wa, ou transferência da consciência; a respiração contemplativa, durante a qual o canal central é aberto por meio da respiração e da visualização; e outras. Algumas dessas práticas são descritas detalhadamente mais adiante. Em geral, as práticas relacionadas ao ar separam o prana puro do impuro, o que significa separar também o estado mental puro do impuro. O ar é o elemento que permite diferenciar e separar esses estados.
- Extraído do livro: A Cura através da Forma, da Energia e da Luz, de Tenzin Wangyal Rinpoche
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