Podemos considerar a dor física, mental ou emocional como uma graça em potencial. Quande ela se torna insuportável, saímos do marasmo e procuramos a sua causa. Por necesidade, a caça se torna caçador, o derrotado se torna vencedor.
A dor aponta o caminho para a cura: incapazes já de nos iludirmos confortavelmente, mudamos o foco da nossa atenção. Reconhecemos que o padecimento, na verdade, não vem de “fora” (do nosso patrão, do nosso emprego, do nosso parceiro), mas da nossa própria mente com suas preocupações, crenças e interpretações.
No momento em que constatamos lucidamente que nós mesmos é que criamos os nossos sofrimentos, cobramos forças para detê-los. Assim, a dor contém as sementes da sua própria extinção.
O fenômeno a que chamamos mente é a fonte original da tensão no nosso corpo, nas nossas emoções, na nossa vida diária. A mente interpõe um véu, uma lente embaciada entre nós e a realidade. Tendemos a aceitar essas percepções distorcidas como verdades reais até compreender que a mente é o mistificador, o trapaceiro, o mágico que cria ilusões escondido dentro da nossa própria psique, a sussurrar no nosso ouvido interior, a fazer-se de amigo e conselheiro fiel.
A mente é o maior adversário do guerreiro. Da posição de testemunha compassiva (o Eu Superior), podemos devassar a mente tomando consciência de nossos pensamentos em lugar de acreditarmos neles e nos identificarmos com eles.
- Dan Millman, do livro A Importância de Cada Momento.