Festival Jodorowsky

Conhecido por seu cinema de transgressão e por mesclar símbolos místicos com imagens surreais, o diretor e dramaturgo Alejandro Jodorowsky (nascido em 1929) faz parte de uma leva de artistas pouco preocupados em agradar o público e fazer concessões.
Suas obras não poupam banhos de sangue, estão carregadas de personagens mutilados e provocações profanas. Ele se autodefine como “ateu místico”. Um poeta visual de sensibilidade esotérica, capaz de enfiar no mesmo caldeirão cartas de tarô, ensinamentos budistas e influências católicas. E que faz da mistura seu caminho próprio para alcançar o nirvana. (fonte)
Pois então, Jodorowsky é tudo isso e mais um pouco. O filme El Topo eu achei um horror – que me descumpem os fãs – e agradeci ao universo ter chegado 1h atrasado. De qualquer modo, é uma pessoa muito agradável e de pensamentos rápidas.
Não sei se ele veio com um discurso pronto há muito tempo ou se quis fazer uma média com os brasileiros, mas, em dado momento, comparou o Tarot ao futebol, sendo o campo verde a Virgem Maria e Jesus a bola, de modo que fazer gol tornou-se uma experiência de êxtase místico … ![]()
Tirando isso e dois exemplos de “psicomagia”, uma arte que ele mesmo criou, na palestra que assisti ele sorteou algumas pessoas da audiência para fazer leituras públicas, o que foi bastante interessante – teve uma palestra específica sobre Tarot na parte da tarde, antes do filme, mas estava trabalhando e não assisti.
Dando alguns passos para trás, explico rapidamente a importância do Jods para o Tarot: segundo consta, depois de 40 anos de estudo, ele se encontrou com Philippe Camoin, descendente direto da família Camoin, último tipógrafo de Marseille do Tarot de Marseille. Juntos, eles resolveram restaurar o Marseille original, que passou por inúmeros processos de cópia da cópia até perder vários elementos importantes, surgindo, então, o Marseille Jodorowsky-Camoin, em 1998.
Gosto da ánálise simbólica do Marseille, ainda que não aprecie a sua arte, e Jodorowsky usou e abusou dela nas leituras que fez como exemplo. Alguns irão defender a idéia que este foi um código que ele estabeleceu para o trabalho dele e eu concordo, mas, como sempre, defendo a bandeira de uma linguagem uniformizada para o Tarot e, para isso, é preciso recorrer às referências mais antigas, resgatando os conceitos originais.
Das coisas que ele falou, três chamaram a minha atenção e compartilho aqui a idéia-semente de cada uma delas:
» O Tarot não deveria ser utilizado para prever o futuro, mas para se entender o presente. Isso é algo com o qual foco o meu trabalho há algum tempo e fiquei feliz de ouví-lo. Preciso parar para elaborar melhor esta percepção na página “Tarot” deste blog, que desde a sua criação não recebeu um conteúdo próprio.
» Sobre o Arcano XV: o Diabo é um anjo caído; um anjo é um Diabo que se elevou. Ele falou disso com relação a leitura de uma pessoa que, teoricamente, seguiu por caminhos tortos e se via preso a eles. Sempre é tempo de mudar, de se viver uma nova história, de se libertar do que nos incomoda. A energia é a mesma, o que muda é a direção.
» Na dúvida entre fazer e não fazer, faça. Se você não fizer, ficará frustrado; se fizer e der certo, ótimo; se fizer e der errado, você aprendeu uma valiosa lição.









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