Ah! Que coisa boa é abraçar…

Ao término de cada encontro do Toque da Unidade Deeksha na casa da Vera, o grupo fica em pé no meio da sala com todo mundo formando um círculo com os braços sobre os ombros um dos outros para ouvir duas musiquinhas que viraram uma referência do trabalho que ali se realiza. Uma delas, que todos nós amamos, tem como refrão “que coisa boa é abraçar” e propõe um abraço para desaparecer.

No meu primeiro contato com o grupo (grupo que descobri depois do abraço da Amma), estava meio mal e me colocaram no meio da roda para ser abraçado por todas – uma sensação de acolhimento ímpar. E eu ali, cercado por 6 mulheres (era o único homem), meio sem saber o que fazer. A energia do feminino era muito forte e foi como estar protegido no útero da Mãe Terra. Lágrimas lavaram o meu rosto.

Mas os abraços não acabaram ali, pois a roda se desfaz e as pessoas se abraçam uma a uma. Não tenho bem certeza, mas acho que a Cláudia foi a primeira a me abraçar. Dei aquele abraço convencional, murcho, e quando tentei me desvencilhar ela falou: “peraí, moço, quem disse que o abraço acabou?” – ela se tornou minha personal hug trainer depois disso. E eu permaneci ali mais um pouco abraçado sem ainda entender muito bem o que era aquilo. Melhor dizendo, sem entender a importância daquilo.

Se mais nada tivesse aprendido na deeksha, ficaria feliz em declarar que, aos 40 anos, finalmente aprendi a abraçar. Obrigado, obrigado, obrigado. Falo de abraçar de verdade, abraçar por inteiro. Falo de ter algumas pessoas (ou uma, em especial) com quem gostaria de verdadeiramente desaparecer num abraço.

E aí não importa se estou abraçando uma mulher ou se abraço outro homem. Não há nada de viadagem (se me permite o termo) num bom abraço quando dado em um grande amigo. Homem, principalmente, adora abraçar rápido ou abraça mais demorado e dá umas porradas nas costas para se eximir de culpas ou por entender que a coloração do hematoma equivale a algum índice de afetividade.

De lá para cá, abraçar se tornou uma outra experiência. Palavras não ditas, por vezes, se revelam em um único abraço. A música fala “sinto o meu coração bater.. sinto o seu coração batendo também” e é verdade: quando dado com carinho, você sente o coração do outro, os dois entram no mesmo compasso e se tornam um só.

Um abraço pode dizer o quanto uma pessoa é importante para a outra. Um abraço pode dizer que o que havia antes, acabou. Dá até para ter esperanças quando outras referências sinalizam o contrário.

E aí é engraçado, pois nem todo mundo abraça como eu – agora – abraço. Talvez seja a minha vez de dizer “peraí, quem disse que o abraço acabou?”, mas rola um bom senso para saber com quem posso fazer isso. E, “pior”, não abraço mais quem não quero abraçar, entende? Se é algo protocolar, basta um aperto de mão ou um tapinha nas costas – abraço é uma coisa séria! ;)

Na blogsfera, tem pelo menos uma pessoa que mexe muito comigo através dos seus textos. Rio e choro junto com ela, ainda que a gente não se conheça pessoalmente. Por vezes, termino de ler algo bacana e me dá uma vontade enorme de abraçá-la. Já deixei um comentário falando para que ela se sentisse abraçada e o abraço chegou lá – abraços virtuais, quando verdadeiros, funcionam, acredite! Tudo é energia.

Lembrei de dois livrinhos que via muito nas lojas há alguns anos, mas nunca abri: Terapia do Abraço, de Kathleen Keating. Fazendo uma busca rápida na Internet, não encontrei referências muito esclarecedoras sobre o conteúdo, mas descobri um outro texto com informações científicas:

Um estudo do departamento de psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, mostrou que abraçar tem relação direta com qualidade de vida. Com a troca de calor e afeto, o corpo passa por uma dança de hormônios: enquanto o nível de cortisol, o hormônio do stress, despenca, substâncias químicas como a serotonina e a dopamina aumentam, contagiando o cérebro e cada célula do organismo com uma sensação de conforto e felicidade. Em seguida, a pressão sanguínea diminui e os batimentos cardíacos desaceleram – quadro ideal para ficar protegida de doenças cardiovasculares e viver plenamente por muitos e muitos anos. (fonte)

Então, o que você está esperando para sair da frente do micro e dar um abraço – daqueles de desaparecer – agora?

Para arrematar, não poderia faltar o vídeo original da Free Hug Campaing:

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