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Os Cinco Tipos de Compaixão

O texto a seguir saiu de um artigo da revista Vida Simples, que está nas bancas – “O Despertar da Compaixão” é a matéria de capa. Entrei no site e vi que, generosamente, ela está toda lá. Sugiro que seja lida na íntegra, mas puxei esta parte para cá por interesses próprios – mais fácil rever depois.

De uma hora para outra comecei a tocar muito neste assunto, mas quando um tema se torna relevante para mim, parece que atraio informações de todos os lados. Deve existir aí algo para se prestar mais atenção. Acrescentei os nomes e direções na mandala dos Cinco Budas Primordiais que servem de referência para esta explicação, caso alguém queira se aprofundar.


(…) compaixão não é uma coisa só, um sentimento inequívoco que se apresenta de apenas uma maneira. O lama budista gaúcho Padma Samten conta como se manifestam os cinco aspectos diferentes da compaixão, relacionando-os às cinco cores (ou energias) emanadas pelos budas primordiais.

“Na compaixão azul [Buda Akshobhya - Centro], por exemplo, olhamos para quem sofre e o acolhemos com ternura”, diz ele. “E perguntamos interiormente: ‘Quais as potencialidades e qualidades escondidas nesse ser? Como ele pode desabrochar?’ E o ajudamos a seguir essa direção”, explica.

A compaixão amarela [Buda Ratnasambhava - direção Sul] está ligada à generosidade e à riqueza. “Então, quando vamos ajudar alguém, nós podemos não somente ouvi-lo e entendê-lo, como também podemos fazer algo a mais, dando oportunidades ou oferecendo meios materiais para que a pessoa possa sair daquela situação difícil”, afirma o lama. É uma ajuda prática, que pode envolver dinheiro, comida ou trabalho.

Na compaixão vermelha [Buda Amitabha - direção Oeste], nossa principal atitude é tentar despertar a força interior da pessoa que está passando por uma dificuldade. É dar estímulo, promover sua alegria ou até aproveitar a raiva dela para direcionála na construção de uma nova vida. “Às vezes não basta dar acolhimento e condições materiais, se a gente não estimula o despertar do eixo interno emocional do outro, com entusiasmo e um referencial positivo do que pode acontecer no futuro”, diz o lama.

A compaixão verde [Buda Amoghasiddhi - direção Norte] é a do grito, da bronca, do basta. “Se vemos uma criança puxando uma toalha com uma caneca de leite fervente em cima e não gritamos, ela pode se queimar gravemente. Quando gritamos ‘Não faça isso!’, nós interrompemos uma ação negativa, para bem da pessoa. Isso também é compaixão”, afirma o lama Samten. A psicóloga paulista Maria Cândida Amaral afirma que isso é muito comum entre as famílias. “A compaixão pode ser exercida com brabeza, isto é, com-paixão, com emoção. E isso não tem nada a ver com sentimentos melosos”, diz. Qualquer mãe sabe disso. Às vezes o grito tem de ser forte, a bronca tem de ser enérgica para surtir algum resultado. A mãe pode fazer isso com o coração apertado, mas sabe que tem de fazer e que, ao se omitir, cometerá uma falha na educação dos seus filhos.

A última forma de compaixão, segundo prega o budismo, é a branca [Buda Vairochana - direção Leste]. “É a culminância desse sentimento. Nela oferecemos nossa própria natureza essencial, que é luminosa, amorosa e compassiva. Porque ainda que eu acolha com ternura, ainda que propicie meios, ainda que procure despertar a coragem da pessoa e que impeça sua negatividade, se não oferecer amor, todas as outras formas de compaixão ficam quase sem sentido”, conclui o lama.

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