Archive for November, 2007

Festival Jodorowsky

Festival Jodorowsky

Conhecido por seu cinema de transgressão e por mesclar símbolos místicos com imagens surreais, o diretor e dramaturgo Alejandro Jodorowsky (nascido em 1929) faz parte de uma leva de artistas pouco preocupados em agradar o público e fazer concessões.

Suas obras não poupam banhos de sangue, estão carregadas de personagens mutilados e provocações profanas. Ele se autodefine como “ateu místico”. Um poeta visual de sensibilidade esotérica, capaz de enfiar no mesmo caldeirão cartas de tarô, ensinamentos budistas e influências católicas. E que faz da mistura seu caminho próprio para alcançar o nirvana. (fonte)

Pois então, Jodorowsky é tudo isso e mais um pouco. O filme El Topo eu achei um horror – que me descumpem os fãs – e agradeci ao universo ter chegado 1h atrasado. De qualquer modo, é uma pessoa muito agradável e de pensamentos rápidas.

Não sei se ele veio com um discurso pronto há muito tempo ou se quis fazer uma média com os brasileiros, mas, em dado momento, comparou o Tarot ao futebol, sendo o campo verde a Virgem Maria e Jesus a bola, de modo que fazer gol tornou-se uma experiência de êxtase místico …

Tirando isso e dois exemplos de “psicomagia”, uma arte que ele mesmo criou, na palestra que assisti ele sorteou algumas pessoas da audiência para fazer leituras públicas, o que foi bastante interessante – teve uma palestra específica sobre Tarot na parte da tarde, antes do filme, mas estava trabalhando e não assisti.

Dando alguns passos para trás, explico rapidamente a importância do Jods para o Tarot: segundo consta, depois de 40 anos de estudo, ele se encontrou com Philippe Camoin, descendente direto da família Camoin, último tipógrafo de Marseille do Tarot de Marseille. Juntos, eles resolveram restaurar o Marseille original, que passou por inúmeros processos de cópia da cópia até perder vários elementos importantes, surgindo, então, o Marseille Jodorowsky-Camoin, em 1998.

Gosto da ánálise simbólica do Marseille, ainda que não aprecie a sua arte, e Jodorowsky usou e abusou dela nas leituras que fez como exemplo. Alguns irão defender a idéia que este foi um código que ele estabeleceu para o trabalho dele e eu concordo, mas, como sempre, defendo a bandeira de uma linguagem uniformizada para o Tarot e, para isso, é preciso recorrer às referências mais antigas, resgatando os conceitos originais.

Das coisas que ele falou, três chamaram a minha atenção e compartilho aqui a idéia-semente de cada uma delas:

» O Tarot não deveria ser utilizado para prever o futuro, mas para se entender o presente. Isso é algo com o qual foco o meu trabalho há algum tempo e fiquei feliz de ouví-lo. Preciso parar para elaborar melhor esta percepção na página “Tarot” deste blog, que desde a sua criação não recebeu um conteúdo próprio.

» Sobre o Arcano XV: o Diabo é um anjo caído; um anjo é um Diabo que se elevou. Ele falou disso com relação a leitura de uma pessoa que, teoricamente, seguiu por caminhos tortos e se via preso a eles. Sempre é tempo de mudar, de se viver uma nova história, de se libertar do que nos incomoda. A energia é a mesma, o que muda é a direção.

» Na dúvida entre fazer e não fazer, faça. Se você não fizer, ficará frustrado; se fizer e der certo, ótimo; se fizer e der errado, você aprendeu uma valiosa lição.

Khadro Ling, Morada das Dançarinas do Céu

Fuçando o YouTube, descobri este vídeo institucional do Khadro Ling, que fala um pouco da vida do Chagdud Tulku Rinpoche e do templo que construiu em Três Coroas (RS). Vale a pena dar uma olhada.

História para uma lamparina…

História para uma lamparina…

Meu interesse pelo Budismo é antigo. Acabei de fazer umas contas e, com certeza, no começo de 1995 eu praticava a sadhana da Tara Verde sozinho e sem qualquer orientação, ainda que a compra dos primeiros livros seja, talvez, bem anterior a isso. Lembrei deste detalhe porque aconteceu durante dois meses de cão que morei em São Paulo – nada contra a cidade, que eu adoro, mas as condições em que estava empregado não eram as mais adequadas.

Quando retornei ao Rio estava determinado a encontrar um centro budista para fazer parte. De maior credibilidade, só ouvia falar da KTC, localizada no “fim do mundo”, em Vargem Grande. Pesquisando daqui e ali, soube que um grande lama tibetano estaria de passagem na cidade para dar iniciação à Tara Vermelha em uma casa na Gávea. E lá fui eu.

Nesta ocasião conheci o Chagdud Tulku Rinpoche – lamentavelmente não sei a data em que tomei refúgio e recebi esta iniciação.

Nunca tinha ouvido falar da Tara Vermelha e confesso até que o fato de ser vermelha me deixava meio com o pé atrás, mas fiquei bastante impressionado com a presença do mestre e deixei que as coisas acontecessem naturalmente. Depois disso, li Os Portões da Prática Budista, de sua autoria, e, por algum tempo, freqüentei as reuniões semanais da sadhana da Tara Vermelha, em Botafogo.

Não fiquei muito tempo no grupo. Tinha sérios problemas com grupos, pois continuava pensando nas necessidades do dia-a-dia enquanto as pessoas queriam largar tudo para viver aos pés do mestre no Tibet ou, no caso, em Três Coroas (RS). Tendo abandonado as práticas, guardava apenas um enorme carinho com relação ao Rinpoche.

No dia 27 de dezembro de 1998 acordei com minha mãe ao telefone. Meu irmão havia sofrido um acidente na estrada e meu pai pedia para que eu os levasse até o posto da Polícia Rodoviária, onde receberíamos outras orientações. Ele já havia passado por outros acidentes, deu perda total em 2 carros da família e, desta vez, apenas acompanhava um amigo para passar o fim de ano em uma casa de praia.

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Tara Verde

Tara Verde

Segundo Taranatha, tudo se passou numa Era (ou eon) era muito antiga. Um “eon” tem a duração do Universo. Ou seja, o tempo entre o aparecimento e o desaparecimento de todo o Universo – isto é um “eon”.

Havia, pois, numa Era muito antiga, uma princesa chamada “Lua de Sabedoria”, que era discípula de um Buddha, que era seu Guru. Ela tinha tanta devoção por seu Guru que um dia cobriu o equivalente a 19.000m3 de preciosos oferecimentos para ele.

Esta princesa atingiu as mais altas realizações espirituais, graças, provavelmente, à devoção que tinha ao seu Guru. Por isso diz-se que o Guru é a fonte de todas as realizações.

Assim alguém lhe disse que, como um dos muitos resultados de sua prática, ela ia renascer como homem. O nascer homem era considerado mais benéfico do que nascer mulher, pois assim poderia viver como iogue na floresta, ou numa gruta deserta, sem ser molestada.

Mas a princesa não quis. Ela disse que havia muitos iluminados sob a forma masculina, e que ela queria tornar-se uma iluminada sob a forma feminina.

Após uma longa meditação em retiro ela atingiu o altíssimo estado de Anutpada ou “não origem”. Aquele é o mais elevado nível de meditação existente, quando podia ver o real estado da mente e os fenômenos como “incriados”, sem início, sem limites.

A partir de então passou a ser conhecida como Tara (Tare), ou Drolma que quer dizer “salvadora”, ou “aquela que libera”. Tara é uma palavra sânscrita.

Segundo a lenda, muito tempo depois, Ela prometeu ao Buddha Amoghasidhi defender a todos os seres na mais profunda vastidão das dez direções, passando a ter vários nomes, como “imediata”e “heróica”, até se tornar por sua atividade a corporificação de todos os Buddhas.

A partir de então se inicia o culto e prática de Tara como a ação concentrada de todos os Budas, o seja, o culto da mãe Tara.

Foi o próprio Buddha Sakyamuni que na nossa Era revelou o Tantra de Tara, como a mãe de todos os Buddhas.

Tara é uma deidade meditacional, corporificação da atividade de todos os Buddhas.

Tara é conhecida como Arya Tare, a “Nobre Tara”, a Grande Rápida Protetora, a Eliminadora dos Oito Medos.

Na sadhana atribuída à Tara, estes Oito Medos são descritos de forma metafórica. São eles:

  1. Apego (enchente)
  2. Ira (fogo)
  3. Ignorância (elefante)
  4. Inveja (serpente)
  5. Orgulho (leão)
  6. Avareza (correntes da prisão)
  7. Visões erradas (ladrões)
  8. Dúvida (fantasmas)

OM TARE TUTTARE TURE SOHA

- Fonte: Grupo de Estudos Karma Kagyü – SP
- Outras informações:  Centro de Estudos do Budismo (26/11)

As Runas de Óðinn

As Runas de Óðinn

Há 18 anos que estudo oráculos. Apesar da ênfase para o Tarot, já passei pelas Runas e pelo Ogham, fiz vários cursos isolados de Astrologia sem nunca ter avançado além dos conceitos básicos e também estudei um pouco de Geomancia.

Em 1997, querendo experimentar os conhecimentos sobre html que estava reunindo na rede, resolvi montar um site hospedado no Geocities: surgiu, em 24 de maio daquele ano, a Draco’s Home Page, onde assinava primeiro como Uther Pendragon (um nick que usava nas listas de discussão) e depois como Marcelo Draco, para resgatar o nome e deixar alguma coisa de dragão no meio… ;)

O primeiro conteúdo da DHP foi sobre Runas – para quem nunca ouviu falar, um oráculo nórdico. Juntei informações de um curso que fiz e de várias fontes confiáveis – na época, importei muitos livros a respeito do assunto. Pela primeira vez era colocado à disposição na rede um tutorial completo sobre Runas em português.

O passo seguinte foi escrever sobre Tarot, mas em artigos isolados, muitas vezes repetindo alguns textos que enviava para as listas de discussão. Por fim, montei outro tutorial completo, agora sobre o Ogham, um oráculo celta baseado em árvores – também o primeiro em português (e, por muito tempo, o único).

Este site teve 4 (talvez 5) anos de vida. Comecei a descobrir vários casos de clonagem sem qualquer respeito com relação à autoria, minha caixa postal ficava lotada com “bruxinhas” querendo dicas sobre magia, apesar de sempre frisar que o meu interesse pelas Runas e pelo Ogham era estritamente oracular, o Geocities passou a criar limites para o serviço gratuito, dificultando a atualização… enfim, fiquei de saco cheio e acabei com o projeto.

Quando entrei para o Orkut e comecei a me cadastrar em algumas comunidades de Tarot, uma conhecida anunciou, em dado momento, que o Kirtan era o Uther Pendragon e o autor da DHP, o que fez com que muitas pessoas viessem falar comigo. Não tinha idéia do quanto era conhecido por causa do site.

No outro sábado saí com um amigo e ele sacou da mochila um saquinho com Runas. Relembrei alguns conceitos adormecidos e falei que ainda tinha um backup no computador. Prometi lhe passar tudo num arquivo de texto, mas, em casa, resolvi que não custava nada devolver As Runas de Óðinn para o seu “habitat natural”.

Aproveitei a própria estrutura do WordPress para fazer algo simples e prático. Editei apenas algumas referências a links que deixaram de existir. Talvez, com calma, volte a olhar os textos para alterar uma coisa ou outra, mas, a princípio, está tudo como foi publicado em 97 – estamos falando de 10 anos!

Se você tem interesse no assunto, divirta-se. Depois resgato também as páginas sobre o Ogham. Sobre Tarot, não creio que haja algo que valha muito a pena e, de qualquer modo, o espaço para este conteúdo é aqui mesmo – estou até devendo posts sobre isso.

As Runas de Óðinn

Sawabona!

Sawabona!

Não é apenas o avanço tecnológico que marcou o inicio deste milênio. As relações afetivas também estão passando por profundas transformações e revolucionando o conceito de amor.

O que se busca hoje é uma relação compatível com os tempos modernos, na qual exista individualidade, respeito, alegria e prazer de estar junto, e não mais uma relação de dependência, em que um responsabiliza o outro pelo seu bem-estar.

A idéia de uma pessoa ser o remédio para nossa felicidade, que nasceu com o romantismo, está fadada a desaparecer neste início de século. O amor romântico parte da premissa de que somos uma fração e precisamos encontrar nossa outra metade para nos sentirmos completos.

Muitas vezes ocorre até um processo de despersonalização que, historicamente, tem atingido mais a mulher. Ela abandona suas características, para se amalgamar ao projeto masculino.

A teoria da ligação entre opostos também vem dessa raiz: o outro tem de saber fazer o que eu não sei. Se sou manso, ele deve ser agressivo, e assim por diante. Uma idéia prática de sobrevivência, e pouco romântica, por sinal.

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Ana & Chico

Ana & Chico

Quando moleque, morando com meus pais, ficamos responsáveis, por algum tempo, por uma enorme imagem de São Francisco de Assis esculpida em madeira. Um vizinho, deputado, havia encomendado esta imagem para um lugar que ainda estava em obras e, naquele momento, ficaria 1 mês fora com a família. Temendo que a casa pudesse ser invadida e a imagem roubada, perguntou se não podíamos guardá-la até que retornasse.

São Francisco ficava na sala. São Francisco entrou em nossa casa e no meu coração. A imagem se foi, mas São Francisco permanece comigo desde então. Não sou “o” devoto de São Francisco – que, na maioria das vezes, me refiro apenas como Chico – como também não sou “devoto” de santo algum, mas não há como ler sobre Chico ou estar em contato com qualquer coisa ligado a ele sem ser preenchido por enorme ternura. Já me disseram, inclusive (e eu acredito), que a história dele é bem diferente da propagada pela Igreja e que, em momento algum, ele chegou a ser conivente com o Papa, nem mesmo por subserviência hierárquica – mas isso é outra história…

Enfim, no passado talvez não tivesse uma semana em que, em algum momento, a Oração de São Francisco não fosse recitada, não importando se estivesse em um momento próprio de oração ou caminhando na rua.

Talvez eu conte aqui com detalhes como me aproximei da Cura Prânica, mas a porta de entrada, isso eu posso antecipar, foi a Meditação dos Dois Corações. Fui o tempo todo guiado por sinais e apareci no espaço da Beth meio sem saber o que poderia esperar. Só sabia que precisava estar lá.

A meditação é toda guiada através de instruções do Mestre Choa Kok Sui. O CD traz a voz do Mestre Choa Kok Sui, em inglês, seguida da tradução frase a frase. Feitas as invocações iniciais e dadas algumas instruções, a primeira coisa que ouço é Lord, make me an instrument of your peace… Sim, eu estava no lugar certo. Agora, oficialmente, pelo menos uma vez por semana invoco bênçãos divinas para o planeta, doando energia pelas minhas mãos, recitando o maior de todos os ensinamentos.

Fui procurar um clipe de Ana Carolina no YouTube e me deparei com este, que nem sabia existir. Isso é coisa de Chico. Que ele te abençoe como me abençoa todos os dias.

Vaishlach

Vaishlach

Abri o jornal há pouco, na parte dos classificados, e me chamou a atenção o nome de uma imobiliária, Peniel (“a face de Deus”, em hebraico). Imediatamente me veio um estalo, justificado 5 minutos depois: esta noite é Shabat da parashá (porção da Torá) de Vaishlach (“E Enviou…”), passagem em que é registrada a luta entre Yaacov e o anjo Peniel às margens do rio Jabbok (ok, galera, recebi o recado).

Alguns dizem que Peniel era um anjo enviado por Essav (irmão de Yaacov) para matá-lo, outros dizem que Yaacov enfrentou D’us em pessoa, e há quem afirme que o patriarca esteve cara-a-cara uma manifestação do seu yetser hará (sua “má inclinação” – nosso lado instintivo, medos, condicionamentos, falsas crenças, etc.).

Já escrevi de outras vezes (até porque adoro repetir isso) que o despertar de uma nova consciência é, muitas vezes, um exercício de coragem de aceitar a existência de nossos próprios defeitos (mais fácil ver os dos outros) e não desviar o olhar até que eles tenham sido devidamente trabalhados. Yaacov fez isso durante toda uma noite, sem ceder.

Ele vence o anjo e sai manco desta luta. Alguns sábios da Torá dizem que Yaacov sempre foi manco, mas que só tomou consciência deste fato no fim deste confronto. Pode parecer que ele perdeu alguma coisa, mas, de fato, ganhou, prova disso foi que o anjo o abençoou, antes de partir, trocando o seu nome Yaacov (por vezes interpretado por “aquele que segue por caminhos tortos”) por Israel (“aquele que é reto no Eterno”).

Lembro também de algum comentário que diz que esta ferida viriha tem ligação com a sua necessidade de controlar. A história de Yaacov até aquele momento era marcada pela sua esperteza, sua capacidade de contornar a situações, ainda que tenha passado por maus bocados. Descobrir sua manquidão, em parte, é aceitar verdadeiramente a sua missão. Muitas vezes rezamos “Que seja feita a Vossa vontade”, mas, internamente, suplicamos “e que ela não seja diferente da minha”. Time is over. Chega de brincadeira. É hora de agir feito gente grande.

A energia deste Shabat, que começa hoje à noite e vai até o fim da tarde de amanhã, traz uma enorme força de superação – incluindo a superação das resistências internas que impedem que sejamos plenamente felizes. Que possamos olhar para dentro e descobrir os monstros que escondemos no armário. Que possamos olhar nos seus olhos, desafiá-los e vencê-los.

Shabat Shalom!

Ah! Que coisa boa é abraçar…

Ah! Que coisa boa é abraçar…

Ao término de cada encontro do Toque da Unidade Deeksha na casa da Vera, o grupo fica em pé no meio da sala com todo mundo formando um círculo com os braços sobre os ombros um dos outros para ouvir duas musiquinhas que viraram uma referência do trabalho que ali se realiza. Uma delas, que todos nós amamos, tem como refrão “que coisa boa é abraçar” e propõe um abraço para desaparecer.

No meu primeiro contato com o grupo (grupo que descobri depois do abraço da Amma), estava meio mal e me colocaram no meio da roda para ser abraçado por todas – uma sensação de acolhimento ímpar. E eu ali, cercado por 6 mulheres (era o único homem), meio sem saber o que fazer. A energia do feminino era muito forte e foi como estar protegido no útero da Mãe Terra. Lágrimas lavaram o meu rosto.

Mas os abraços não acabaram ali, pois a roda se desfaz e as pessoas se abraçam uma a uma. Não tenho bem certeza, mas acho que a Cláudia foi a primeira a me abraçar. Dei aquele abraço convencional, murcho, e quando tentei me desvencilhar ela falou: “peraí, moço, quem disse que o abraço acabou?” – ela se tornou minha personal hug trainer depois disso. E eu permaneci ali mais um pouco abraçado sem ainda entender muito bem o que era aquilo. Melhor dizendo, sem entender a importância daquilo.

Se mais nada tivesse aprendido na deeksha, ficaria feliz em declarar que, aos 40 anos, finalmente aprendi a abraçar. Obrigado, obrigado, obrigado. Falo de abraçar de verdade, abraçar por inteiro. Falo de ter algumas pessoas (ou uma, em especial) com quem gostaria de verdadeiramente desaparecer num abraço.

E aí não importa se estou abraçando uma mulher ou se abraço outro homem. Não há nada de viadagem (se me permite o termo) num bom abraço quando dado em um grande amigo. Homem, principalmente, adora abraçar rápido ou abraça mais demorado e dá umas porradas nas costas para se eximir de culpas ou por entender que a coloração do hematoma equivale a algum índice de afetividade.

De lá para cá, abraçar se tornou uma outra experiência. Palavras não ditas, por vezes, se revelam em um único abraço. A música fala “sinto o meu coração bater.. sinto o seu coração batendo também” e é verdade: quando dado com carinho, você sente o coração do outro, os dois entram no mesmo compasso e se tornam um só.

Um abraço pode dizer o quanto uma pessoa é importante para a outra. Um abraço pode dizer que o que havia antes, acabou. Dá até para ter esperanças quando outras referências sinalizam o contrário.

E aí é engraçado, pois nem todo mundo abraça como eu – agora – abraço. Talvez seja a minha vez de dizer “peraí, quem disse que o abraço acabou?”, mas rola um bom senso para saber com quem posso fazer isso. E, “pior”, não abraço mais quem não quero abraçar, entende? Se é algo protocolar, basta um aperto de mão ou um tapinha nas costas – abraço é uma coisa séria! ;)

Na blogsfera, tem pelo menos uma pessoa que mexe muito comigo através dos seus textos. Rio e choro junto com ela, ainda que a gente não se conheça pessoalmente. Por vezes, termino de ler algo bacana e me dá uma vontade enorme de abraçá-la. Já deixei um comentário falando para que ela se sentisse abraçada e o abraço chegou lá – abraços virtuais, quando verdadeiros, funcionam, acredite! Tudo é energia.

Lembrei de dois livrinhos que via muito nas lojas há alguns anos, mas nunca abri: Terapia do Abraço, de Kathleen Keating. Fazendo uma busca rápida na Internet, não encontrei referências muito esclarecedoras sobre o conteúdo, mas descobri um outro texto com informações científicas:

Um estudo do departamento de psiquiatria da Universidade da Carolina do Norte, nos EUA, mostrou que abraçar tem relação direta com qualidade de vida. Com a troca de calor e afeto, o corpo passa por uma dança de hormônios: enquanto o nível de cortisol, o hormônio do stress, despenca, substâncias químicas como a serotonina e a dopamina aumentam, contagiando o cérebro e cada célula do organismo com uma sensação de conforto e felicidade. Em seguida, a pressão sanguínea diminui e os batimentos cardíacos desaceleram – quadro ideal para ficar protegida de doenças cardiovasculares e viver plenamente por muitos e muitos anos. (fonte)

Então, o que você está esperando para sair da frente do micro e dar um abraço – daqueles de desaparecer – agora?

Para arrematar, não poderia faltar o vídeo original da Free Hug Campaing:

Shhhh… Macaco Meditando…

Shhhh… Macaco Meditando…


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Notícia do Terra: Macaco do parque sul-coreano de Everland, em Youngin, relaxa em piscina-spa de água morna. Os tratadores querem poupar os animais do frio do outono do hemisfério norte.

Dei de cara com esta foto na página inicial do Terra e viajei. Na verdade, rolou uma ponta de inveja ao contemplar tamanha serenidade. Os ventos andam soprando forte, mas são sempre meus aliados. Querem mudança. Trazem mudança. Respiro fundo e deixo que eles invadam – ok, não é bem assim: geralmente resisto até entender que não tem jeito, mas ainda estou aprendendo a reconhecer os sinais… ;)

Qualquer hora dessas entro em um ofurô e aí vou me lembrar do meu amigo aí de cima.

Om Hoom Hanumate Rudratamakaye hoom phut swaha

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