Deeksha: Calix Meus Inebrians
Posted by Marcelo BuenoOct 13

Muitas pessoas aparecem por aqui por causa da tag “Deeksha” que utilizei no post sobre o Moola Mantra.
Eu mesmo só ouvi a expressão há poucos meses – como já contei, na fila de abraços da Amma – e fora do grupo que acabei conhecendo depois disso, Deeksha ainda soa como algo absolutamente desconhecido. Toda fez que eu toco no assunto tenho que parar e explicar do que trata para seguir adiante.
Deeksha é uma transmissão de energia, como a Cura Prânica, com foco no cérebro. Seu objetivo é promover a consciência da Unidade. Nas palavras do Sri Bhagavan, que é um dos mentores deste trabalho, a mente humana é uma parede que separa o homem de D’us e Deeksha é a ferramenta que abre um buraco nesta parede e permite que homem e D’us se relacionem.
Na prática, o deeksha giver coloca as mãos sobre a cabeça de quem recebe. Eventualmente, toca o coração e, em caso de necessidade, alguma outra parte do corpo que necessite de atenção. Não contei o tempo e não perguntei, mas é coisa de poucos minutos. No grupo em que recebi Deeksha, após o recebimento, ficamos mais alguns instantes em estado meditativo, meio que “digerindo” a energia ou deixando que ela atue.
Uma abordagem mais técnica envolverá conceitos de neurociência, o papel dos lóbulos cerebrais e tal. Nesta hora, lembro do meu primeiro contato com o grupo: perguntei para uma veterana qual a experiência dela com a Deeksha e ela respondeu que Deeksha não se explica, Deeksha se sente. Ela não estava sendo grossa. Acontece que as experiências são realmente muito particulares e se você tenta emular o que o outro sentiu (ou fica nesta expectativa), perde a oportunidade de ter a sua própria vivência.
Tenho a esperança que o Zephyrus tenha uma vida muito mais longa do que outros blogs que já tive. Faço este registro para quem passa por aqui, mas, principalmente, para ser algo que eu leia muito mais à frente.
First of all, é importante dizer que a minha experiência com a Deeksha faz parte de um pacote de outras vivências. Estou me trabalhando, por assim dizer, nos últimos 2,5 anos, mais ou menos. Várias coisas contribuíram para que eu chegasse ao estágio atual, como o Body Talk, o uso do óleo Oberon, da Aura-Soma, o ingresso no Pathwork, a Cura Prânica. Algumas tecnicas foram muito pontuais, outras me acompanham até hoje. Não saberia dizer o que ajudou em qual aspecto. Conforme a gente vai se abrindo, o que se faz necessário simplesmente aparece, cumpre o seu papel e vai embora.
Ok, vamos aos fatos:
A primeiro Deeksha que recebi foi em 8 de agosto. A Vera, coordenadora do grupo que encontrei, faz um trabalho diferenciado, criando temas que são trabalhados com a ajuda da Deeksha. Eu cheguei no primeiro dia do ciclo “A Dor da Separatividade”, onde seriam trabalhados os aspectos do medo, da culpa, da frustração e da mágoa – um aspecto por semana.
Cheguei na Vera num dia que havia sido especialmente barra pesada. Estava internamente mexido num grupo em que, para variar, era o único homem. Parecia que eu já estava conectado com o trabalho por vir. A cada encontro tive vivências ao longo do dia relacionado ao tema da noite, desde o primeiro momento – foi assim também no meu primeiro curso de Tarot.
Não sou dado a devaneios. Uma coisa que me deixa aflito é participar de meditações onde as pessoas depois descrevem suas experiências. Fico sempre pensando o que tinha na água delas e faltou na minha. Na maioria das vezes apago ou cumpro o protocolo. Sim, existe uma sensação de bem-estar, mas raramente alguma viagem mais elaborada.
Bom, neste primeiro dia a visualização guiava, em resumo, para algo como subir uma montanha e depois descer. Eu me lembro da primeira metade da história, pois na hora de descer eu parei, me voltei para o precipício, dei distância para correr e saltar no vazio. A imagem que vinha na cabeça era de uma carta do baralho do Osho: Confiança – Cavaleiro de Copas, fui descobrir em casa.
Aproveitando que estava com o baralho na mão, tirei uma carta e saiu o 8 de Copas, que tem como síntese a frase “Deixando ir”. As duas cartas têm muito a ver com o meu momento de transformação e da minha necessidade compulsiva de controlar os ventos da mudança.
Devo acrescentar que sempre me identifiquei com a Corte de Espadas, sendo que tudo o que eu queria era vivenciar Copas. Eu sou um curador de Copas, provavelmente um Cavaleiro de Copas, que mescla Água e Ar, mas a minha resistência em deixar que ele se manifestasse era forte. Quem me conhece há mais tempo na rede sabe do meu fascínio sobre os mitos arturianos e, em especial, a história de Parcifal na busca do Graal. Ainda assim, a espada sempre falou mais alto. O que tento descrever aqui é a dinâmica entre se deixar dominar pela mente ou pelo coração.
É interessante observar que há alguns meses trabalho com a Meditação dos Dois Corações, que promove o desenvolvimento e integração destes dois aspectos.
Tive uma experiência muito interessante na semana seguinte, onde o tema era culpa, em uma história que envolveu o carinho dos dois grupos, o de Cura Prânica, que celebrava naquele dia o aniversário do Mestre Choa Kok Sui, e o da Deeksha. Eu estava certo que teria que sacrificar um evento para participar do outro e ficaria mal de qualquer modo, pois não estaria por inteiro onde optasse para ir, mas aí, fazendo diferente do que sempre faço, compartilhei o problema e pedi ajuda para as duas coordenadoras, que, generosamente, alteraram os horários – uma antecipou 30 min e a outra atrasou outros 30 – para que eu pudesse participar de tudo. Pode soar bobagem para alguns, mas fazer este movimento, para mim, foi uma grande vitória.
Discutimos frustação na semana seguinte e mágoa na última. Na visualização da mágoa, saí mais uma vez do roteiro: em algum momento da meditação eu resolvi pegar um baralho de Tarot da mochila para tirar uma carta que representasse o fechamento daquele ciclo. Com as cartas nas mãos, uma voz me dizia que aquilo não era necessário, pois eu sabia qual carta iria sair. Respondi: “sim, eu sei, um 8 de Copas” e joguei as cartas para o alto, com todas as lâminas se espalhando no vento.
Mas a mente tem seus truques e, quando cheguei em casa, resolvi tirar, de fato, uma carta para saber qual a síntese do trabalho. Um 8 de Copas se revelou ao virar a carta escolhida. Até então este tipo de coisa não acontecia comigo.
O ciclo do mês seguinte foi sobre aceitação. Falei que não iria participar porque os encontros da Deeksha coincidem com os da Meditação dos Dois Corações. Neste meio do caminho, rolou a gravação de um vídeo que seria levado à India contando as nossas experiências – a Vera está lá neste mês.
No domingo anterior à viagem, nos reunimos para assistir o vídeo finalizado. No final, Vera propôs uma meditação chamada Nada-Brahma com Deeksha no final. Na hora de aplicar a Deeksha, ela sugeriu que todos levantássemos as mãos e nos transformássemos em taças. Maria, outra deeksha giver, apareceu, de modo que receberíamos duas vezes.
Abrindo parênteses, Maria foi a primeira pessoa que vi na fila da Amma falando de Deeksha com o casal do Espírito Santo. Fui encontrá-la no dia da gravação do vídeo. Sequer sabia seu nome.
Eu fui o último a receber Deeksha neste dia. Quando Vera se aproximou, veio de dentro de mim a frase “unges com óleo minha cabeça; meu cálice transborda” – daí o título do post, em latim, obviamente, que é muito mais charmoso… ;)
Para quem “não ligou o nome à pessoa”, trata-se de um trecho do Salmo 23.
De uma forma que não sei explicar, realmente fiquei com uma sensação de estar com a cabeça molhada. Quando estávamos nos despedindo, um rapaz que aparecia pela primeira vez numa mesma reunião que eu, falou da mesma sensação. Perguntou se Vera tinha pingado alguma coisa e ela respondeu que não. Maria relatou um episódio parecido em outro grupo, em que uma mulher passava a mão no rosto repetidas vezes e depois “reclamava” do que a deeksha giver havia derramado sobre a sua cabeça, pois “estava escorrendo e caindo nos olhos”.
Não é do meu feitio exposições pessoais deste tipo, mas estou aprendendo a fazer as coisas de forma diferente. A experiência daquele domingo continua. Não vou entrar em outros detalhes.
Nas meditações da Cura Prânica, volta-e-meia acontece de parte do grupo ter algum tipo de impedimento e acabar não aparecendo. Estatisticamente, a energia que rola nestas ocasiões tem tudo a ver com as pessoas que vão – inclusive as que desapareceram por algum tempo e decidem ir naquele dia.
No dia deste Deeksha, do grupo que me acompanhou só havia uma pessoa. Fora Vera e Maria, havia uma outra mulhar da turma de terça e este rapaz que nem sei de qual trabalho faz parte – Vera é coordenadora de vários grupos e estavam todos ali porque também era um “até breve” em função da viagem.
Não sei se o cálice, para eles, tem a mesma importância que tem para mim, mas, ao mesmo tempo, tenho certeza que precisava da energia deles para que a experiência acontecesse.
Posso dizer que agreguei algumas coisas ao longo destes 2 meses, como uma serenidade maior com relação às mudanças e a certeza de estar indo para onde devo ir – ainda que isso contrarie as vontades do ego. “Consegui” que uma coisa improvável acontecesse, tive uma resposta positiva diante de mais algumas mudanças de atitude, me abri para novas situações de vida e estou confiante no que está por vir, mesmo não tendo nada de palpável com que contar neste momento.
O baralho do Osho meio que virou uma referência neste processo por conta da primeira visualização. No Ás de Copas, o texto diz que o indivíduo “está disponível ao rio da vida, sem ter nunca um pensamento do tipo “Eu não gosto disto aqui”, ou “Eu prefiro ir em outra direção”. A cada momento na vida temos a opção de entrar na correnteza e boiar, ou de tentar nadar rio acima. Quando esta carta aparece em uma leitura, é uma indicação de que agora você está preparado para flutuar, confiante em que a vida o apoiará no seu relaxamento, e irá levá-lo exatamente aonde ela quer que você vá. Deixe que esse sentimento de confiança e relaxamento cresça cada vez mais; tudo está acontecendo exatamente como deveria”.
Não tenho nenhuma ligação com o Oneness Moviment, não penso em me tornar um deeksha giver e não tenho Sri Amma e Sri Bhagavan como meus mestres. Eu acredito na energia e confio no universo. Encontrei com as pessoas certas ao longo do caminho – inclusive as que me decepcionaram por uma razão ou outra.
Esta é a minha minha história, meu testemunho. Ao compartilhá-la, de alguma forma compartilho a cura que recebi. Meu cálice transborda.
Que assim seja. Que assim seja. Que assim seja.
E assim é.
















