A Lei das Opções
Posted by Marcelo BuenoJul 27
Talvez nenhuma carta expresse tão bem a natureza do Tarot quanto o Arcano VI. Acho que este “segredo” (ops!) sempre esteve guardado na própria composição do próprio Tarot, afinal são 78 lâminas: 7 + 8 = 15 = 6.
Não escrevo sobre o Arcano VI – Amantes, criado pelo Waite e perpetuado através das gerações seguintes de forma meio distorcida por alguns, mas do Arcano VI – Enamorado, cujo tema é a necessidade de se fazer uma escolha que muda o rumo das coisas.
Estamos falando de Tarot, mas, no fundo, não é essa a linha que norteia todos os oráculos? Por que nos consultamos? Não estamos buscando informações sobre as possibilidades diante de nós para dar mais propriedade às nossas decisões? O destino não muda, a partir de uma consulta, quando temos uma outra consciência a respeito do nosso momento, das oportunidades, dos desafios e do que se esconde de nossa percepção mais imediata? E, ainda assim, não faz parte de nosso livre-arbítrio acreditar ou não nas cartas; seguir ou não o conselho de quem as interpreta?
Descobri este texto de Dan Millman no livro Um Novo Sistema de Numerologia e resolvi trazê-lo para cá. Ele oferece alguns insights interessantes que têm muito a ver com a “minha” visão do Arcano VI. Depois volto e acrescento algumas observações no próprio texto (o que tiver um “MB:” na frente).
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A maioria das criaturas da Terra tem uma série relativamente pequena de opções conscientes; trabalha sobretudo pelo instinto e pela adaptação. Em compensação, nós, humanos, temos poderes de opção que vão muito longe. Nossas vidas cotidianas consistem numa seqüência de escolhas e exercícios de livre-arbítrio – se devemos levantar-nos ou ficar na cama, que vamos comer no desejem, que havemos de fazer com o nosso dia, se vale a pena mudar de profissão, voltar à escola, continuar uma relação e assim por diante.
Dependendo das circunstâncias, experimentamos muitas ou poucas escolhas. Uma doença mental ou outras incapacidades torcem ou cerceiam o nosso poder de escolha; a clareza da mente o acentua. Claro que está que não temos todos uma escolha igual das circunstâncias; se formos ricos, por exemplo, poderemos optar por voar para a Europa a fim de jantar; se vivermos num país empobrecido, poderemos optar por comer mas não encontrar comida à disposição. Se estivermos doentes, de cama, poderemos optar por correr pelos montes, mas nos veremos incapazes de fazê-lo, a não ser na imaginação. As circunstâncias fisicas podem, com efeito, limitar nossas opções físicas. A Lei das Opções, todavia, dirige o nosso poder e a nossa responsabilidade para escolher o modo como respondemos às circunstâncias – poder que nunca perdemos enquanto vivermos.
Às vezes, temos a impressão de que nossas opções são feitas para nós pela nossa família, pelo nosso empregador, pelos nossos amigos, pelas nossas circunstâncias, ou por Deus. Se, por exemplo, o patrão nos disser: “Você terá de trabalhar depois do expediente; se não quiser, teremos que mandá-lo embora”, poderemos pensar que não temos escolha. Mas é claro que a temos: fazemos opções conscientes reconhecendo que toda opção tem conseqüências.
Podemos escolher um caminho mais fácil ou um mais difícil. Raramente decidimos tomar o caminho mais penoso, a menos que acreditemos que ele propiciará prazer no seu percurso ou fará que alcancemos nossas metas mais depressa. Quanto menos numerosas forem as crenças deformadas ou limitante que tivermos, maior será o nosso poder de escolha (MB: “a colher não existe”. A realidade se manifesta de acordo com a nossa percepção e a nossa capacidade de alterá-la).

Precisamos também confiar nas mensagens intuitivas oriundas do subconsciente que poderão escolhar experiências ou atrair para a nossa vida pessoas que conscientemente não queremos, porém das quais poderemos precisar para o nosso bem e o nosso aprendizado mais elevado. Quanto mais respeitarmos a Lei das Opções, também mais claramente viveremos a nossa vida resolutamente, assumindo a responsabilidade pelas nossas direções em vez de encarar a vida como alguma coisa que simplesmente nos acontece. Por exemplo, em lugar de errar pela vida, perguntando a nós mesmos se estamos no caminho certo, ou em companhia da pessoa certa, ou fazendo o trabalho certo, reconhecemos que estas pessoas e estas circunstâncias foram escolhidas por nós mesmos. A par com esse reconhecimento vem o poder de aceitar as nossas opções. Se alguma vez nos sentirmos impotentes numa situação, será este o momento de lembrar-nos do nosso poder de opção.
Podemos sentir-nos medrosos ou bloqueados. No entanto, quanto maior valor dermos ao poder de opção, tanto mais nos encarregaremos do modo com que canalizamos a nossa energia criativa e nos expressamos.
Escolha criativa
Tudo o que existe é feito de energia, e a energia manifesta-se ao longo de um espectro que vai do positivo ao negativo. Por exemplo, a eletricidade pode iluminar uma cidade ou tirar uma vida.
A energia criativa tem caráter dinâmico, assurgente, e precisa encontrar expressão; ela existe para fluir e para ser usada. Ela atua como uma espada de dois gumes; se não for usada para finalidades construtivas, descarregar-se-á de maneiras destrutivas. Se a energia criativa for de todo bloqueada, como a água que arremete a um muro e sobre, volta-se contra nós e cria pressões que experimentamos como sintomas dolorosos nos níveis físico, mental e emocional. A gordura excessiva, por exemplo, muitas vezes reflete a energia bloqueada que não tem para onde ir.
A energia criativa bloqueada ou se manifesta como doenças e sintomas físicos ou se libera através do abuso do fumo, do álcool, de outras drogas, da comida ou do sexo. Quando essa liberação se torna repetitiva, complulsiva ou crônica, os abusos podem também expandir-se e converter-se em vícios inveterados (MB: o 6-Enamorado que vira 15-Diabo).
Assim como reconhecemos que escolhemos, em algum nível, o modo com que canalizamos nossas energias criativas, assim também podemos aprender outras maneiras de abrir nossas energias e canalizá-las em direçoes que inspirem ou ajudem os outros e tragam recompensas ao invés de castigos.
Por mais destrutiva ou bloqueada que que possa ter estado nossa energia criativa no passado, isso muda depois de aplicarmos o poder de opção.
~ Dan Millman, extraído do livro Um Novo Sistema de Numerologia.
















