Archive for June, 2007

Vivendo pela boca

Vivendo pela boca

Estava comendo damasco há pouco e me lembrei que já tive um terapeuta que aplicava Tui Na – uma modalidade de massagem chinesa – que me recomendava o consumo desta fruta por algum motivo que não me recordo. Fui buscar alguma pista na Internet e ainda não sei exatamente a resposta, mas descobri um texto do João Curvo falando sobre alimentos yin e alimentos yang. A Cura Prânica dá bastante atenção à alimentação como uma forma de manter o corpo físico e sutil em equilíbrio. Resolvi trazer para cá estas pequenas dicas de saúde.

Alimentos Yin são aqueles que nos refrescam e acalmam e são indicados às pessoas em que predominam as característica Yang.

Alimentos Yang são aqueles que nos aquecem e ativam e são indicados às pessoas onde predominam as características Yin.

Alimentos Yang
indicados para pessoas predominantemente Yin:

  • Temperos picantes: alho, cebola, alho-poró, cheiro verde, noz moscada, pimenta, raiz forte
  • Verduras e legumes, forma de preparo: cozidos, “ao vapor”, refogados ou sob a forma de sopas.
  • Proteínas animais: carne bovina, frutos do mar, peixes, aves. Forma de preparo: cozidos com temperos fortes.
  • Entre as frutas preferir: mamão, pêssego,damasco, figo, maçã, ameixa seca, uva passa, e frutas assadas ou cozidas com canela
  • Entre os grãos : feijões, lentilha, milho.
  • Chás indicados : marapuama, ginseng, catuaba, cravo e canela, chá verde, chá mate, chá preto, chimarrão.

Alimentos Yin
indicados para pessoas predominantemente Yang:

  • Verduras e legumes crus na forma de salada temperada com limão, azeite e folhas de hortelã. Entre elas : alface, rúcula, acelga, tomate, pepino, cenoura, beterraba, broto de feijão.
  • Peixes e peito de frango grelhado, lombo de porco assado temperado com limão.
  • Entre as frutas : melão, melancia, abacaxi, pêra, tangerina, banana.
  • Entre os cereais : arroz integral e aveia.
  • Chás indicados: hortelã, camomila, casca de abacaxi, chá de maçã, boldo, carqueja, flor de laranjeira.

Fonte: Leveza à Mesa (João Curvo)

Tarot.. hã… Cabalístico?

Tarot.. hã… Cabalístico?

Estou há um tempão tentando escrever este post… Eu olho para ele, ele olha para mim, troco uma palavra, movo uma vírgula, acrescento um parágrafo, mas nada me deixa efetivamente satisfeito. {imagem: Tarot of the Sephiroth}

Isto ocorre, em parte, porque pensei em fazer algo mais abrangente e este não me parece o espaço adequado para isso – pelo menos, não em um único texto.

Pensando nisso, deixo aqui o que comecei a elaborar como crítica em relação ao pensamento de que o Tarot teria alguma origem na Cabalá – ou uma inquestionável ligação com ela. A Cabalá, como muitos devem saber, é um corpo de conhecimento de origem judaica que, de forma cíclica, “vira moda”. O problema é que, na qualidade de moda, nem sempre é fácil separar o sério do oportunista, até porque alguns oportunistas são bem convincentes.

Passo adiante um pouco do que filtrei a respeito do assunto somado à minha experiência pessoal. Críticas são bem vindas.

Eu não acredito em um “Tarot Cabalístico”. Os que já me ouviram falar dos Arcanos Menores podem estranhar esta afirmação, já que coloco as cartas dentro da Árvore da Vida, mas não creio que este recurso faça da minha leitura uma “leitura cabalistica”. Eu até explico como cheguei às definições que adoto, quando necessário, mas, via de regra, não vejo razão para rebuscar meu discurso com referências cabalísticas (ou pseudo-cabalísticas). Os que o fazem, de modo geral estão mais interessados em impressionar do que agregar valor.

Importante que fique claro que o que se conhece de Cabalá aplicada ao Tarot (ou Tarot aplicado à Cabalá, como preferir) não é uma Cabalá Judaica, mas uma Cabalá Hermética, que surgiu dentro do movimento renascentista do século XV com a intenção de inserir o misticismo judaico (na verdade, o pouco que se sabia dele) dentro de um caldeirão já repleto de outros conhecimentos, como astrologia, alquimia, magia, paganismo, goetia, …

É relativamente fácil dar uma roupagem cabalista ao Tarot, basta ter acesso a algumas informações. Gosto, principalmente, do jogo de palavras (o hebraico é rico neste recurso), mas será sempre uma abordagem que busca na filosofia judaica justificativas para elementos do Tarot – exercício que pode ser feito com qualquer outro corpo de conhecimento, desde que o Tarot não seja deturpado para se encaixar em alguma regra fora dele.

Tavaglione Tarot

A correlação entre letras hebraicas e Arcanos Maiores, por exemplo, não se sustenta aos olhos de um estudioso mediano. Palavras-chaves a respeito de cada letra foram disponibilizadas, mas não cobrem todos os pontos. {imagem: Tavaglione Tarot}

Dalet é a “porta”, mas também o “homem pobre” e a experiência da auto-anulação do ego. Em que isso se encaixa com a Imperatriz (escola inglesa) ou com o Imperador (escola francesa)? Waite chegou ao ponto de trocar a Justiça e a Força de posição para alinhá-las com seqüências das letras hebraicas e sua associação astrológica: Força – Tet – Leão, Justiça – Lamed – Libra. Crowley não trocou as cartas, mas “ouviu” de seu mentor espiritual que “Tsade não é a Estrela” e atribuiu Hei para o Arcano XVII, deixando a letra Tsade com o Imperador. Apesar disso, continuou associando o Imperador ao signo de Áries e a Estrela ao signo de Aquário…

Em todos estes anos de estudo, li Regardie, Crowley, Knight, Case, Fortune, Gray, Jayanti e Parfitt, entre outros, e eles nunca me levaram a entender exatamente qual o propósito da “Qabalah” – grafada assim já para estabelecer diferenças – pela Qabalah ou da Qabalah aplicada ao Tarot, até porque, em vários momentos, os conceitos tradicionais prevalecem independente de atributos externos ao Tarot.

O pai do “Tarot Cabalístico” foi Antoine Court de Gebelin, embora os trabalhos de Eliphas Levi sejam mais conhecidos. É de se compreender o seu entusiasmo: o alfabeto hebraico possui 22 letras (o mesmo número de Arcanos Maiores), a Árvore da Vida tem 10 sefirót (o mesmo número de Arcanos Menores numerados em cada naipe) e o Tetragrama (Nome mais elevado de D’us) é formado por 4 letras (o mesmo número de Figuras da Corte em cada naipe, por exemplo, sendo que o Tetragrama servirá para Levi e Papus em diversas outras questões).

Apesar disso, e repetindo Gershon Scholem:

As atividades dos ocultistas franceses e ingleses foram inúteis e serviram apenas para gerar uma grande confusão entre os ensinamento da Cabalá e suas próprias invenções, tais como a suposta origem cabalística do Tarot” — citação curiosamente extraída do livro Tarot Cabalístico, de Robert Wang.

Somada à trágica associação Arcano Maior – Letra Hebraica, ainda temos a questão dos caminhos na Árvore da Vida, que também é ponto de discórdia entre alguns autores, pois nem todos concordam que as letras se encontram nos mesmos lugares e, obviamente, isto faz toda a diferença quando você justifica a função de uma determinada letra/arcano como canal de comunicação entre duas sefirót.

Eu, em especial, prefiro trabalhar, inclusive, com o modelo de Árvore da Vida instituído por Yitzchak Luria, que estabelece um único caminho de Malchut (10), o Mundo Físico, aos planos superiores através de Yessod (9) e liga Biná (3) à Chessed (4) – assim como Chochmá (2) à Gevurá (5) – evitando o aparente “salto” do fluxo de energia que se desloca entre as sefirót superiores, como ocorre no outro modelo de Árvore, também usada por muitos judeus.

É fato que o diagrama conhecido como Etz Chaim pode ser considerado o principal símbolo da Cabalá. Tudo (ou quase tudo) pode ser explicado através dele, pois a Árvore da Vida é, antes de qualquer outra coisa, um mapa que revela como as Forças da Criação do Universo atuam – portanto, um mapa de nós mesmos.

No estudo dos Arcanos Menores, passei um bom tempo reproduzindo conceitos-chaves deste ou daquele autor até ter a oportunidade de me aprofundar no significado da Árvore e o seu fluxo. Não sou um especialista no assunto – ando até meio enferrujado – mas me sirvo dele com responsabilidade e respeito.

Os Menores, lidos como uma seqüência (e não como cartas isoladas), são mais ricos em informação, pois sabemos de onde viemos e para onde vamos, sem contar com a possibilidade de analisarmos, através da sefirá correspondente, as oportunidades e as armadilhas inerentes a cada lâmina.

Em posts futuros eu escrevo um pouco sobre cada sefirá e que tipo de relação elas estabelecem com as cartas numeradas e as figuras da corte.

As sete camadas energéticas do homem

As sete camadas energéticas do homem

Peguei este texto da Internet. Ele foi concebido por Seiiti Arata como parte de um trabalho que ele identifica como Terapia Energética Instantânea. Não sei até que ponto curadores videntes percebem claramente estas camadas, mas elas existem e é importante que tenhamos consciência delas, pois a cura se dá de forma diferenciada dentro de cada situação.
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1. Corpo Físico: Energia Condensada

O corpo físico que é chamado de corpo de energia condensada, como já foi mencionado é constituído predominantemente de água: H2O, que nada mais é do que dois átomos de hidrogênio (H) unidos a um átomo de oxigênio (O), que corresponde em peso aproximadamente 65 a 70 por cento do peso total. Analogamente, existem na composição corporal, outros elementos químicos como: carbono (C), nitrogênio (N), fósforo (P), manganês (Mn), magnésio (Mg), potássio (K) e uma infinidade de outros elementos químicos. Todos eles formados de partículas atômicas, e, portanto, de energia.

2. Corpo Etérico/Duplo Etérico: Camada energética de conexão

Uma camada de alguns centímetros envolve o Corpo Físico conectando-o de forma mais ou menos eficiente com as outras camadas sutis.

Existem portais por onde a se processam mais efetivamente as entradas e saídas de energias. São os conhecidos chakras, pontos de acupuntura, incluindo-se toda rede de meridianos, que propiciam a troca de energias do Corpo Físico com tudo à sua volta, incluindo as suas camadas energéticas mais sutis.

A deficiência nesta troca de energias por problemas devidos a bloqueios, congestão ou dificuldades de fluidez, pode acabar resultando em algum desequilíbrio do organismo. Em tais casos, pode-se recorrer a uma das diversas técnicas de tratamento energético conhecidas da terapia holística de modo a se restaurar, novamente, a homeostase. Portanto, esta camada energética é de fundamental importância, neste processo de recuperação do estado de bem-estar.

3. Corpo Astral/Emocional: Compõe o caráter

É o que pode ser considerado como a envoltória que fica logo além do Corpo Etérico. É tão relevante que as pessoas nos definem através dele, por caracterizar as nossas reações e atitudes diante dos fatos do dia a dia. É por isso que ouvimos falar coisa do tipo: “É uma mulher bonita, porém insuportável!” ou “Ela é bem jovem, entretanto, nunca vi pessoa tão madura e emocionalmente controlada!”.

As nossas reações, provocadas pela camada emocional, passam a fazer parte de nossa identidade e têm o poder de nos causar grandes benefícios ou até mesmo grandes prejuízos.

Portanto, ao descobrirmos quaisquer de nossas tendências a atitudes que possam nos prejudicar, devemos procurar soluções para neutralizar tais impulsos. É o que fazemos durante toda a nossa vida, num constante processo de amadurecimento: detectando problemas, mudando o que for possível, re-avaliando e promovendo constantes ajustes para melhoria.

4. Corpo Mental Instintivo: Herança genética

É o nome dado ao corpo energético onde estão as nossas heranças genéticas. Assim como é comum nascermos com algumas características físicas semelhantes aos nossos antepassados, como cor de cabelo, formato do nariz, jeito de andar, herdamos também algumas características emocionais de nossos ancestrais.

Esta herança genética, dificilmente poderá ser mudada. Ela está gravada na nossa mente inconsciente. O que está ao nosso alcance é administrá-la, não deixando que ela se aflore livremente, a ponto de nos causar prejuízos.

5. Corpo Mental Cósmico: Define a individualidade

É o que nos foi destinado desde a hora da concepção até o nascimento. É a característica pessoal que nos identifica e que resultou de uma situação muitíssimo especial, como a influência dos nossos progenitores na hora da fecundação, localização dos astros e outros fatores que nem conhecemos devidamente. Quando elas são boas apresentam-se em forma de talentos, dons e outras qualidades admiradas e invejadas. Quando são más, representam os defeitos de nossas personalidades como tendência à tristeza, maldade, espírito vingativo, sadismo e outros. Nem mesmo os gêmeos são indivíduos idênticos.

6. Corpo Mental Intelectual: Adquirida pelas experiências e livre arbítrio

É o Corpo Energético que está ao nosso alcance. Pode ser desenvolvida seguindo apenas as ordens do livre arbítrio, perseverança e dedicação. Somam-se também as experiências do dia a dia, quer sejam intencionais ou involuntárias. Dependem dos livros que lemos, filmes que assistimos, nossa convivência com outras pessoas, fatos, acidentes, sonhos, imaginação, crenças e outras influências.

A grande vantagem é que esta Mente pode ser aprimorada ilimitadamente. Ela pode crescer tanto, a ponto de predominar sobre as outras duas. Pode tornar-se tão poderosa e ocupar quase a totalidade da nossa mente, de forma que as outras duas podem parecer inexistentes.

Porém, esta mente requer cuidados especiais: ela precisa ser incrementada continuamente sob risco de perder a força e ser dominada pelas outras duas: a Instintiva e a Cósmica. E se isto acontecer, o Corpo Emocional poderá ser o resultado de puro impulso. Tanto para o bem como para o mal na condição de risco total.

A necessidade de se desenvolver continuamente a Mente Intelectual que é a racional e inteligente pode ser comparada ao condicionamento físico de um atleta, que para manutenção do seu desempenho adquirido ao longo de tantos anos, há que se praticar continuamente. Mas, para se aumentarem as condições, há que se dedicar sempre um pouco mais. Por outro lado, o descuido e a inatividade causarão grandes perdas.

7. Corpo Espiritual: Conectado com as energias mais sutis do Universo

Este corpo é o principal responsável pela paz interior. De nada adiantará um corpo plasticamente perfeito e cheio de energia muscular se o indivíduo é freqüentemente acometido por uma apatia advinda dos processos mentais/espirituais. Dificilmente poderá sentir a felicidade em sua plenitude – ao contrário, poderá tornar-se extremamente infeliz e debilitado.

Por esta razão é que na Terapia Holística o objetivo é a promoção do equilíbrio do corpo-mente-espírito.

Dentre os sete corpos, este é o mais importante e deve ser continuamente aprimorado.

Chakras: Manual do Usuário – Parte I

Chakras: Manual do Usuário – Parte I

Hoje em dia somos obrigados a falar de chakras primários e chakras secundários, pois a tradicional visão de 7 chakras se encontra um tanto quanto ultrapassada – a Cura Prânica trabalha com 11 principais, por exemplo.

Chakra é uma palavra sânscrita que significa “roda”. Eles são vistos como vórtices de energia que captam e expurgam prana (energia vital), trabalhando para o bom funcionamento dos órgãos ligados a eles nos níveis físico, emocional, mental e espiritual.

Algumas escolas dizem que determinados chakras giram num sentido e que outros giram na direção contrária. Dentro da visão da Cura Prânica, cada chakra faz os dois movimentos, alternando da mesma forma e com a mesma finalidade que a nossa respiração.

Quando um chakra está sem energia, não tem força para manter a vitalidade do corpo e barrar a entrada de energia mal-qualificada. Quando o chakra está com excesso de energia é como jogássemos um abacaxi inteiro dentro do liquidificador – fica o bichão entalado em cima e as hélices girando feito loucas para nada.

Os chakras principais se localizam ao longo da espinha, desde a base até o topo da cabeça.

O texto a seguir é baseado no livro A Psicologia do Tantra, de Paulo Murilo Rosas. Trata-se de uma visão bem esclarecedora a respeito da natureza dos chakras, o que nos ajuda a diagnosticar algumas situações mais à flor da pele. Acrescento depois outras informações.

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Pontos-de-Vista II

Pontos-de-Vista II

O último post rendeu, mas rendeu por um caminho estranho, pois, de uma hora para outra, parecia que eu estava defendendo algo estúpido, como “o Tarot não precisa de imagens, apenas números e conceitos abstratos”{imagem: Sacred Rose Tarot}

O problema nunca esteve na imagem, mas na imagem errada – ou na interpretação errada da imagem certa. Tento colocar as coisas dentro das suas devidas perspectivas no texto a seguir:

Zoe, quando você trouxe uma troca que rolava no MSN para uma arena pública, desconsiderou algumas coisas que conversamos e generalizou, equivocadamente, a minha opinião a respeito do Tarot, o que me obriga a dar algumas explicações para quem pega este bonde andando. Não me importo que as pessoas tenham uma opinião diferente da minha, contanto que elas contestem o que eu realmente penso a respeito de qualquer assunto.

Continuo dizendo que se a forma como você interpreta o Tarot dá certo, be happy. Afinal, o oráculo atende às nossas convenções e o que você faz está inserido dentro de um sistema que você desenvolveu ao longo destes anos. Ele funciona. Não discuto isso. Só que eu não falo de uma abordagem individual. Não se trata de como o Marcelo joga ou como a Zoe joga. Estamos discutindo a respeito de uma estrutura simbólica, supostamente, universal. É preciso ter em mente que uma linguagem viva pode (e deve) ser atualizada, mas não temos o direito de adulterá-la – o que é uma outra história.

A origem do Tarot é desconhecida. De onde surgiram as imagens? Se ele foi criado para ser um “livro de conhecimentos”, estes ensinamentos estão codificados nas imagens. Nós olhamos para cada elemento e tentamos entender o que eles querem dizer. Cada detalhe é importante: se é homem ou mulher, se o personagem olha para a direita ou para a esquerda, onde a mão está, e por aí vai… Em momento algum condeno a imagem pela imagem.

É justamente por saber do valor das imagens que me preocupo com o uso que se faz delas. Não se esqueça que sou publicitário: se fizesse pouco da imagem seria bancário ou seguiria na carreira tão somente compondo anúncios de linha na seção dos classificados. Não é o caso.

Discutimos bastante, por exemplo, sobre a lâmina dos Enamorados. Destaquei para você que a mulher da esquerda toca o ombro do rapaz e que ombro, em hebraico, é shekem – também traduzido como “a porção que carrega o fardo” – o que lhe vende alguma culpa do tipo “pense bem no que está fazendo”. Também lhe disse que uma diferença entre o 6 e o 15 é que o primeiro se importa com as pessoas, e que isso é visto pelo fato do rapaz estar no mesmo plano que as duas mulheres enquanto o Diabo se posiciona acima de seus escravos.

Nunca li nada disso em livros. Apenas vi as imagens e coloquei para você o que pensava sem fugir, em momento algum, dos conceitos que permeiam estes dois arcanos. É relativamente fácil ser criativo com uma namorada por semana (e se não for, talvez ninguém venha a saber). O difícil é ser criativo casado com a mesma mulher por 3, 10 ou 30 anos. As pessoas desistem fácil. Ainda há muito o que se explorar nas boas e velhas imagens do século XV. Não preciso colocar Yoda de Eremita, Aarrba The Hunt de Pendurado, Darth Vader de Diabo e a Estrela da Morte (explodindo, naturalmente) de Torre para parecer moderno.

Pegue a Imperatriz de três baralhos diferentes: uma está grávida, a outra segura um bebê no colo e a terceira tem uma criança andando aos seus pés (estou resgatando fragmentos de conversas nossas para uniformizar o debate, agora, coletivo). Se formos interpretar tão somente as imagens, temos três situações completamente diferentes, sendo que apenas a primeira estará coerente com a idéia de que, no Arcano III, o fruto ainda não está à disposição.

Não condeno “Os Amantes” do Waite de todo, por exemplo. As duas figuras têm a Árvore da Vida e a Árvore do Conhecimento do Bem e do Mal às suas costas. Extraídos do contexto bíblico, a cena conserva questões como o livre-arbítrio. Se faço uso do meu conhecimento da Torá, ainda vou além, mas deixo para falar disso no meu próprio espaço.

O fato é que artistas, ainda que talentosos, mas ignorantes com relação à linguagem do Tarot, viram tão somente um casal nu e tudo virou mera fornicação. Até o anjo sumiu, provavelmente com vergonha. E aí não importa se a alma do seu aluno se identifica com isso ou com aquilo: ele estará trabalhando sobre um conceito errado porque assim a imagem sugere.

Com relação aos Arcanos Menores, o Rider-Waite foi fortemente influenciado pela cartomancia – e não por princípios herméticos da Golden Dawn ou de qualquer outra Ordem, como imaginam alguns. Não existe qualquer proposta iniciática, por exemplo, como fez o Mebes. O que Pamela fez foi transformar estas informações (= conceitos) em imagens, meio que “defendendo um território” – a sua visão das lâminas. Se continuasse com 3 trevos ou 8 corações, estaria sujeita às diferentes escolas de cartomancia existentes. A imagem, teoricamente, obrigaria o leitor a seguir uma direção específica.

Não discuto se os conceitos do Waite com relação aos Menores estão certos ou errados. E em momento algum levanto a bandeira de um “Tarot Verdadeiro”. Por outro lado, condeno veementemente o “Tarot da Mãe Joana”.

Tomemos o 7 de Ouros como exemplo: no Rider-Waite é uma carta de “dinheiro e negócios”. Deveríamos respeitar isso ao fazermos uso do baralho. Poderíamos dizer qualquer coisa, fazer qualquer viagem, enquanto as idéias girassem em torno de “dinheiro e negócios”. Na descrição da lâmina, ainda encontramos que “poder-se-ia dizer que aquelas folhagens são tesouros e que o coração do jovem lá se encontra”. Rachel Pollack diz, entre outras coisas, que “o trabalho dá mais do que lucro material; a pessoa também cresce”. Muito coerente.

Acontece que algumas pessoas olham para a imagem desenhada pela Pamela (a mesma que fala de satisfação pelo trabalho realizado) e não acham que o rapaz esteja tão feliz. Pelo contrário, que se apoia desanimado sobre a enxada e que os 7 pentáculos estão longe de ser aquilo que ele imaginou. “Trabalhei tanto só para isso?”, sugerem.

A liberdade de reinterpretar a imagem sem o conhecimento da sua origem promove isso. E se eu achar que o 4 de Copas é sinal de bebedeira e que o cara está tão doido que depois de ter bebido 3 taças ainda vê uma quarta voando em sua direção? Eu sequer estou falando de um baralho esquisito, onde o erro está na raiz. As pessoas pegam um trabalho que é referência para milhares e o recriam na medida em que projetam o que desejam, o que difere de você ter três pessoas reunidas, cada uma defendendo o ponto-de-vista de uma escola (= uniformidade de pensamento).

Com relação ao método que particularmente adoto, não estou defendendo nenhuma tradição. Deveria terminar de escrever o artigo “Eu não acredito em Tarot Cabalístico”, hoje, se não parasse para explicar o que não disse. Qualquer um minimamente conhecedor da Tradição Judaica sabe que qualquer coisa que “o Tarot veio da Cabalá” é uma imensa bobagem. O que faço é pegar emprestado um sistema que me parece bastante convincente quando tem por base seus princípios originais.

Sim, tenho uma “proposta estrutural e básica de entendimento dos menores”, mas ela está longe de ser uma gaiola. Não estou ditando regras como se estas “regras” fossem desprovidas de um propósito. Jogue uma maçã para cima e, sinto muito, ela irá cair – é a lei da gravidade. Regras existem, o que não significa que elas precisem ser burras. O Tarot não funciona sem a compreensão das forças presentes em cada lâmina.

Uma das minhas maiores resistências ao esquematizar o workshop foi adotar palavras-chaves. Eu não gosto delas. Você explica várias coisas e o aluno, por vezes, fica limitado a 3 ou 4 sílabas reunidas. As palavras-chaves deveriam servir apenas para ajudar na memorização de algo muito maior do que elas, mas poucos querem dar profundidade aos seus estudos pois “leva tempo” ou “dá trabalho”. “Para que usar 78 cartas se com 22 tiro um caldo?” O “viajar nas imagens” ajuda muito nisso – What you see is what you get.

Não existe uma “escola de pintas” que se opõe a uma “escola de imagens”. Quando se trata dos Menores, existem tão somente conceitos. Se estes conceitos virão traduzidos com ícones simples, gráficos psicodéllicos ou cenas ricas em elementos simbólicos, tanto faz. Eu pego qualquer baralho e parto dos mesmos princípios, o que não significa que eu fale as mesmas coisas, pois cada momento é um momento e há outros fatores que permeiam qualquer leitura.

Meditação dos Dois Corações

Meditação dos Dois Corações

Meditação dos Dois Corações é o nome dado para o que, corretamente traduzido, deveria ser “Meditação dos Corações Gêmeos” (Meditation on Twin Hearts).

Existe o risco de alguém, equivocadamente, pensar que se trata da união de dois corações do ponto de vista afetivo, mas consiste, de fato, em um trabalho de união dos chakras cardíaco e coronário.

O Mestre Choa Kok Sui, responsável pelo desenvolvimento da técnica conhecida por Cura Prânica, ensina que o chakra da coroa só pode ser suficientemente ativado a partir do momento em que o chakra do coração está corretamente ativado.

O chakra da coroa é o centro da Iluminação e do Amor Divino ou da unidade com o tudo. O chakra do coração é o centro das emoções superiores. Ele é o centro da compaixão, da alegria, do afeto, da consideração, da misericórdia e de outras emoções refinadas. É através do desenvolvimento das emoções superiores refinadas que se pode, eventualmente, sentir o Amor Divino.

Quando uma pessoa faz a Meditação dos Dois Corações, a energia divina flui através dela enchendo-a de Luz, Amor e Poder Divinos. O praticante se torna um canal dessa energia divina e a compartilha com o planeta, elevando-o.

Existem alguns lugares de prática coletiva da Meditação dos Dois Corações. No Rio de Janeiro, é possível consultar dias, horários e bairros neste link. A energia do grupo é sempre benéfica. Um grupo de 7 pessoas meditando juntas equivale a 100 meditando isoladamente. Para a aquisição de CD com a meditação conduzida pelo Mestre Choa Kok Sui acompanhada de tradução simultânea em português, dê uma olhada neste outro site.

~ Parte do texto extraído do livro Milagres da Cura Prânica, do Mestre Choa Kok Sui, editado pela Ground.