Pontos-de-vista…

Zoe de Camaris é taróloga de Curitiba e amiga recente de bate-papos virtuais. Quando soube da proposta do “Desconstituindo Imagens” partiu em defesa do seu ponto-de-vista no artigo “Reconstituindo Imagens”, publicado no seu blog, enquanto o workshop rolava em Sampa. {imagem: Tarot de Marseille e Universal Waite Tarot}
O texto a seguir é a minha resposta aos seus comentários. Acredito que jamais chegaremos a um acordo e não me preocupo com isso. Não escrevo para ela, que conhece bem os meus argumentos, mas para os que estão “verdes” no caminho e precisam ouvir opiniões diferentes antes de optar pelo que lhes parece fazer mais sentido.
Zoe, não tenho a menor intenção de “convertê-la” para o que eu imagino ser a forma correta de se interpretar as cartas, até porque, se dá certo para você, o que eu tenho a ver com isso?
Você pede que eu argumente. Gostaria de afirmar, antes de qualquer coisa, que uma vez que se aprende Tarot, não se raciocina o Tarot – ele simplesmente flui.
Outra coisa é que se o que interessa é o que a imagem me passa, acho que você está dando um tiro no pé como professora. Viva a imagem, morra o conceito! – e todos os “inúteis” professores e autores de Tarot juntos.
Você se prendeu aos Arcanos Menores e aos valores numerológicos, mas os que tiveram o prazer de desfrutar do mousse da Vera sabem que eu implico com muito mais do que isso, como magos exercendo plenamente o seu poder, papisas sensuais, casais transando, leões estrangulados… e por aí vai.
Se eu descrevo um Fusca laranja as pessoas podem visualizá-lo mentalmente com diferentes tons, mas não terão a cor verde na cabeça. Muito menos pensarão em um Gol laranja, a não ser que, eventualmente, não entendam nada de cor ou de carro.
Se alguém perguntar no Orkut o que significa um Papa com um 7 de Espadas eu devo perguntar qual baralho ela usou para dar uma resposta? Se ela usa um baralho que eu não conheço, devo abrir mão de interpretar a jogada?
O Tarot pode ser flexível, na medida em que você associa outros saberes a ele, mas não é aberto. Aberto é o Linux, que permite que você altere o código-fonte para adequá-lo à suas necessidades. O software aberto, assim como o “Tarot aberto”, permite que você o transforme em outra coisa – não a valorização dos conceitos tradicionais. É o “Tarot aberto” que permite que um relacionamento maduro identificado pelo 9 de Ouros possa ser interpretado como um relacionamento a 3 tão somente porque Frieda Harris resolveu homenagear seus homens na lâmina do Thoth Tarot.
Não fui para SP para falar de um “novo Tarot”. Nunca escrevi nada revolucionário nos meus textos em todos estes anos. Há diferentes escolas quando se aborda os Arcanos Menores. Eu sempre recomendo que os iniciantes abracem uma e sigam em frente até que a experiência cuide de refinar a percepção das cartas. Ofereci aos presentes mais uma alternativa, e, como coloquei como umas das premissas básicas do trabalho, “Não existe uma verdade absoluta, somente níveis individuais de percepção e conscientização” – o resto é vaidade.









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